Quinta-feira, Fevereiro 28, 2002 ::: SEX MOB Hoje tem show do Sex Mob no Knitting Factory (NY). O quarteto liderado pelo trompetista Steven Bernstein acaba de lançar seu terceiro disco, “Sex Mob does Bond”, que, como o nome já diz, traz somente músicas dos filmes do agente 007. Aliás, encontrei esse disco à venda numa loja de São Paulo na semana passada, mas o preço ($52) me fez adiar um pouquinho a compra. O show de hoje é o de lançamento desse álbum e contará com a participação especial do pianista John Medeski, do brilhante trio Medeski, Martin & Wood. Aliás, participações são praxe nos shows do Sex Mob. Já fizeram apresentações com Marc Ribot, John Zorn e DJ Logic, por exemplo. O som da banda, que ainda conta com Briggan Krauss (sax), Tony Scherr (baixo e guitarra) e Kenny Wollesen (bateria), provavelmente é o mais divertido de NY. Enquanto seus colegas passam uma impressão, por vezes, austera, o Sex Mob faz parte da turma do fundão. Um pessoal mais relaxado e tranqüilo. Já li que seus shows são inacreditáveis, com uma energia fora do comum. E que cada um é completamente diferente do outro, mas a diversão está sempre em primeiro lugar. Bom, foi o que eu li, nunca tive oportunidade de assistir. Nos shows, além de suas músicas também tocam Duke Ellington, Rolling Stones e Nirvana. E na noite de hoje, com certeza, muito John Barry. Pra quem vai, bom show!
“The Grind” (Steven Bernstein)
Briggan Krauss – saxofone / Charlie Burnham – violino / Joan Wasser – violino / Kenny Wollesen – bateria / Steven Bernstein – trompete / Tony Scherr – baixo
Quarta-feira, Fevereiro 27, 2002 ::: FESTIVAL + SHOWS NO RIO Está rolando em alguns blogs e listas de discussão a escalação de um festival que aconteceria na areias de Ipanema no mês que vem. A lista traz os nomes de algumas das principais bandas do cenário alternativo: Planet Hemp, Ultramen, MCs HC, Carbona, Matanza, Video Hits, Autoramas, Los Hermanos e Pelvs, entre muitos outros. Mas é melhor não contar com o ovo dentro da galinha (putz, que expressãozinha, desculpa…). A prefeitura ainda não liberou o espaço para as apresentações e o festival, que também depende de patrocínios, infelizmente, ainda não está confirmado. Mas estou torcendo por aqui para que o pessoal da produção feche todos os detalhes o quanto antes. É o festival que o Rio de Janeiro está precisando.
Mas temos algumas boas opções confirmadas para este final de semana. No sábado, dia 02 de março, a Loud retoma as atividades com direito à nova pintura do Cine Íris e capa da revista Programa do JB. No palco principal, a estréia da nova formação da Penélope, com Katia (ex-Leela) no baixo. A festa começa mesmo por volta de meia-noite, ingressos por $15. Little Quail & The Mad Birds, Los Hermanos e Frank Jorge são alguns dos nomes cotados para as próximas edições.
E no domingo a boa é a festa X-Tudo no Armazém 5, com shows de Zumbi do Mato, Carne de Segunda, Cabeça e Skylab. A entrada custa $5 e os shows começam às 17h.
“Tiroteio do Esqueleto sem Cabeça” (Zumbi do Mato)
Bernardo Carvalho – bateria / Löis Lancaster – voz / Marlos Maskin – teclado / Zé Felipe – baixo
Terça-feira, Fevereiro 26, 2002 ::: KASSIN Conheci Kassin em 1995, quando assisti minha primeira apresentação do Acabou la Tequila (banda que proporcionou alguns dos melhores shows que vi na vida). Mal podia imaginar que por trás daqueles óculos de nerd existia um dos músicos mais talentosos do mundo. Não só um grande músico como um excelente compositor e produtor. Kassin transita nos mais diferentes universos. Num momento está produzindo MC Marechal, no outro está tocando no disco da Marisa Monte. Tem acesso total e irrestrito à festivais tão importantes e distintos quanto o Free Jazz (onde tocou com Moreno +2) e o Rock in Rio (com Branco Mello e Los Hermanos). Já excursionou pela Europa e Japão com seu trio com Moreno e regularmente está nos Estados Unidos, onde toca com Arto Lindsay, grava com Melvin Gibbs, janta com John Zorn e à noite ainda vai assistir um show solo do Mike Patton. Montou um belíssimo estúdio na Gávea, onde grava seus discos, os dos amigos e o de quem mais pintar. Já trabalhou na Globo (fazendo a produção musical do programa da Regina Casé) e até em curta-metragem já atuou. Dança? Também. Ao lado de Berna Ceppas criou a trilha sonora do espetáculo “Casa”, de Débora Colker. Isso é um pouco do Kassin: multimídia, genial e bom camarada. Uma rápida entrevista abaixo só para saber o que ele anda fazendo.
MACACO VELHO - Só para situar, em quais projetos você está envolvido atualmente? KASSIN - Atualmente eu estou terminando alguns discos que comecei. Um deles é um álbum de hip hop com vários artistas cubanos. Fiquei lá durante uma semana com o Guga Stroetter produzindo esse disco, são quinze grupos diferentes que nunca haviam gravado antes.
Estes dias eu terminei o disco de remixes do Moreno +2. Estamos muito animados com esse disco, porque conseguimos que artistas que sempre gostamos e ouvimos em casa participassem, entre eles: Takako Minekawa, Mario Caldato, Arto Lindsay, Andrés Levin, Atom Heart (mais conhecido por Señor Coconut) e DJ Me DJ You (mais conhecidos pela banda Sukia).
Também estou, entre outras coisas, acabando o disco do Domenico+2, continuação do projeto do Moreno, sob a liderança do Domenico.
MV - E quais são seus planos para os próximos meses? KASSIN - Tenho alguns planos. Fora o que é trabalho, eu quero muito fazer um disco do Monoaural, minha dupla eletrônica com Berna Ceppas. Também estou pensando em fazer um disco do Curlie Combo, que é uma banda que eu fiz com amigos de partes diferentes do mundo. Eles até vieram ao Brasil em janeiro e fizemos dois shows. Outro plano é o de gravar o Charanga 3D, bloco de carnaval da minha galera, Carne de Segunda, Brasov, Léo Massacre, Bartolo, Berna...
MV - Tem alguma previsão de quando sairá o segundo disco do Acabou la Tequila? Ou aquela preciosidade vai ficar disponível apenas para meia dúzia de amigos? KASSIN - Eu tenho vontade até de fazer um selo pra lançar essas preciosidades. A história desse disco foi bem triste, acho que naquela época nós estávamos fazendo algo que não estava sendo feito, e muito bem feito. Por isso talvez tenha sido demais para a gravadora (nota: a gravadora Abril Music recusou-se a lançar o disco "O Som da Moda" e durante um bom tempo ficou travando os masters, impedindo a banda de lançar o álbum de forma independente. o disco quase saiu no ano passado pela gravadora Rock It, mas os custos de lançamento inviabilizaram o andamento das coisas). Agora acho que é mais provável lançarmos esse disco no Japão do que no Brasil. Lá, o primeiro do Acabou la Tequila foi eleito entre os cem melhores discos brasileiros de todos os tempos, ao lado dos Mutantes, Tom Jobim etc...
MV - Se você tivesse que escolher, quais seriam os cinco discos que você gravou/participou/produziu que mais te dão orgulho? A discografia selecionada de Alexandre Kassin. KASSIN - Não necessariamente na ordem:
Acabou la Tequila (acima citado)
Moreno+2
Domenico+2
Los Hermanos (“Bloco do eu sozinho” - foi muito divertido pra mim tocar com eles, pois além serem meus amigos sou muito fã da banda)
Bebel Gilberto (O Monoaural fez um remix pra musica “Mais Feliz”. Acho que conseguimos algo bem original ali, todos os sons usados são feitos com sintese, nada era sampleado, fora a harpa, que foi programada nota por nota. Parece musica eletrônica dos anos 60)
“Sertão” (Moreno / Caetano Veloso)
Daniel Jobim – piano / Kassin – baixo / Moreno – violão, violoncelo e voz
Segunda-feira, Fevereiro 25, 2002 ::: BODEGA + JASON O ótimo zine coletivo organizado por Leonardo Panço (guitarrista da banda de hardcore Jason) vai reencarnar em breve numa versão blog, sob administração de Flávio Flock. Excelente!
Já o Jason acaba de lançar seu terceiro disco, intitulado “Eu Tu Denis”. Ainda não ouvi, mas me disseram que ele viria numa linha mais “experimental” do que hardcore. Assim que comprar o álbum, lançado pela gravadora Tamborete, comento aqui.
“Roda Gigante” (Flock / Vital)
Flávio Flock – baixo / Leonardo Panço – guitarra / Rafael Ramos – bateria / Vital – voz
Domingo, Fevereiro 24, 2002 ::: TREVOR DUNN Outro dia estava visitando a seção do site onde os fãs mandam perguntas para o baixista Trevor Dunn, do Mr. Bungle, e olha o que achei. Pra mim foi muito curioso ler Dunn falando nisso, já que essa linha de baixo é uma das minhas preferidas.
FÃ: Gostaria muito de aprender a tocar o baixo de “Dead Goon”, mas é muito rápido para tirar. Você poderia me ajudar? DUNN: Ok. As pessoas têm me perguntado sobre essa ESTÚPIDA linha de baixo há não sei quantos anos. Acredite ou não, nosso baterista criou essa linha no piano usando apenas um dedo de cada mão. Mas ela é muito mais difícil de tocar no baixo mesmo. Bom, então dentro de alguns meses vou transcrever essa infame linha e colocá-la aqui no site.
Nesta mesma seção Dunn anuncia que não teremos qualquer novidade do Mr. Bungle em, pelo menos, dois anos.
“Dead Goon” (Mr. Bungle)
Bär McKinnon – sax tenor / Danny Heifetz – bateria / Mike Patton – voz / Theo Lengyel – sax alto / Trevor Dunn – baixo / Trey Spruance – guitarra e teclado
Quinta-feira, Fevereiro 21, 2002 ::: CHORO + BEATLES Li no Globo outro dia que a DeckDisc vai lançar, em abril, um disco de músicas dos Beatles com arranjos de choro. Putz, como eu gosto de uma roda de choro, como eu gosto. Beatles eu também adoro, mas essa mistura… Sei não. Bom, resta torcer para que o competente produtor Henrique Cazes consiga dar conta do recado.
Quarta-feira, Fevereiro 20, 2002 ::: DAVE DOUGLAS Acabam de terminar as gravações do novo álbum de Dave Douglas. O disco chama-se “The Infinite” e foi gravado com seu novo quinteto, que conta com Uri Caine (fender rhodes), Chris Potter (sax e clarinete), James Genus (baixo) e Clarence Penn (bateria). Caine e Genus fazem parte da banda de jazz tradicional que Douglas trouxe em suas apresentações no Brasil. Mas realmente não sei o que esperar desse novo álbum e o site oficial também não dá nenhuma dica, além de que traz músicas inéditas e versões de Björk e Rufus Wainright. “The Infinite” será lançado no mês que vem e em abril a banda inicia uma turnê norte-americana.
“Wives and Lovers” (Burt Bacharach / Hal David)
Dave Douglas – trompete / Scott Robinson – flauta e sax barítono / Uri Caine – piano
Terça-feira, Fevereiro 19, 2002 ::: FANTÔMAS + MELVINS Mais um aguardado disco ao vivo entra na lista de compras. Em abril sai pela Ipecac (gravadora de Greg Werckman e Mike Patton) o álbum “Millennium Monsterworks - live New Years Eve 2000”. É o registro do show que Fantômas e Melvins fizeram juntos (juntos mesmo, o disco é da FantômasMelvins Big Band) na passagem de ano 2000/2001. Para se ajustar ao formato de um cd simples eles tiveram que cortar boa parte da apresentação, mas acho que vai valer a pena assim mesmo. O lançamento está previsto para início de abril.
“The Godfather” (Nino Rota)
Buzz Osbourne – guitarra / Dave Lombardo – bateria / Mike Patton – teclado e voz / Trevor Dunn – baixo
Segunda-feira, Fevereiro 18, 2002 ::: SHOWS NO RIO A semana começa com algumas boas opções de shows aqui no Rio.
Hoje Yamandú Costa se apresenta no Teatro Rival, na Cinelândia. É uma ocasião oportuna para tirar sua própria conclusão sobre o violonista. Considerado somente mais um virtuoso despejando milhões de notas, por alguns; gênio por outros, Yamandú divide opiniões. Eu acho que já tirei minhas conclusões: dotado de técnica invejável e com um delicioso repertório de choros, ele pode me deixar boquiaberto com sua rapidez e, ao mesmo tempo, emocionado com a escolha de belos caminhos harmônicos. Isso ao vivo, no disco ligaram o ar condicionado forte demais.
Após o bem sucedido festival Ruído (promovido por Gabriel Thomaz e Rodrigo Quick), o Ballroom abre suas portas para mais duas noites de rock, com o evento Alternativa B. Desta vez, a escalação traz, além de figuras carimbadas, algumas bandas completamente desconhecidas do público. Na terça-feira tocam Jimi James, Leela, Beladonna e Slimbox 16. Na quarta, Formigas Desdentadas, The Bomb, Loco e Skalaboca sobem ao palco do Humaitá. Além da chance de conhecer novas bandas, o preço ($2 de entrada + $5 de consumação) é outro forte atrativo.
Ainda na terça-feira, Hermeto Pascoal abre a temporada 2002 do SESC Instrumental. Ano passado essa série proporcionou alguns belos shows, inclusive um do próprio Hermeto. Na terça, por $10, teremos uma excelente oportunidade de assistir uma lenda da música brasileira sozinho no palco. O show será no SESC-Copacabana e lá começa cedo, às 19h30m mesmo.
Domingo, Fevereiro 17, 2002 ::: JIMI JAMES & LEELA NO NÉCTAR Após uma banda cover massacrar, por quase duas horas, os cerca de cem presentes com versões de Barão Vermelho, Uns e Outros e Pink Floyd, o Jimi James subiu ao palco.
Nunca tinha visto um show da banda, apesar de acompanhar atentamente a carreira do vocalista Vital há um bom tempo. Como sempre, ele está roubando a cena com sua excelente presença de palco (a foto acima dá mais ou menos uma idéia). Também, pudera: são mais de dez anos tocando em todos os buracos do Rio de Janeiro, com suas antigas bandas Poindexter e Jason. Já tinha lido que o som do Jimi James era uma mistura de rock com funk. Bom, de funk não vi quase nada. Vi, sim, uma bela banda de rock, no melhor sentido da palavra (se é que isso ainda é possível). Um rock vigoroso, com influências de bandas das três últimas décadas. E no final, após uma breve discussão entre Foo Fighters e Faith No More, tocaram “Bullet with butterfly wings”. E logo após a música seguinte, “Nem um minuto a mais”, terminariam o curto show alfinetando a insuportável banda de abertura (Juvelínia, o nome).
Após rápida mudança no palco, entrou o Leela. Mostraram a mesma competência do show no Humaitá Pra Peixe, só que com uma bela surpresa: o baixista Melvin (Charanga 3D) estreando na banda. E ele não decepcionou: com apenas três ensaios pegou todas as músicas, demonstrando segurança e entrosamento com o grupo. Muito bom. O show foi bacana, Bianca surpreendendo com seu theremin e a banda completamente à vontade no palco.
Noite divertida na bucólica Vargem Grande.
fotos: Jimi James (por Rafael Cosme) / Leela (por Marcos Sketch)
“Nem um minuto a mais” (Jimi James)
Alexandre Velho – bateria / Christian – baixo / Dioguinho – guitarra / Vital – voz
Sábado, Fevereiro 16, 2002 ::: PATO FU Ano passado foi o ano do Pato Fu. Foi o melhor período da carreira da banda, pelo menos no aspecto “mercado” (mercadológico eu não consigo escrever). Mas, de repente, após tanta exposição (sem se comprometer) a banda sumiu, parou antes de dar continuidade ao trabalho de divulgação do ótimo “Ruído Rosa”. O que houve? O que eles estão fazendo? Confira abaixo, com o guitarrista John.
MACACO VELHO - 2001 foi um dos melhores anos da carreira da banda. O "Ruído Rosa" esteve presente em várias listas de melhores do ano, ganharam aquele polêmico elogio da Time, tiveram música na abertura da novela, fizeram um ótimo show no Rock in Rio e "Eu" foi a música de vocês que mais tocou no rádio. Por que, então, esse sumiço? Não houve nem um segundo clip. O que está acontecendo? JOHN - Bem, nossa vontade é fazer um monte de clips por disco. Não fizemos mais neste disco porque acabou a grana da gravadora. Aliás, sempre juntamos dinheiro de nosso bolso para o orçamento de clips, que adoramos fazer, mas dessa vez a indústria fonográfica em geral, e particularmente nossa gravadora está numa crise das brabas. Esse lado comercial da coisa é muito confuso, os especialistas da área batem muita cabeça e a única certeza que temos é que fizemos um de nosssos melhores discos, ao mesmo tempo conceitual e radiofônico. Fizemos um segundo clip com "Menti Pra Você Mas Foi Sem Querer" ao vivo, tirado de um especial do Multishow. Então na verdade continuamos fazendo nosso trabalho, nosso "sumiço" tem a ver com a situação preta em que as gravadoras brasileiras estão e com o fato de estarmos já preparando coisas novas.
MV - O "Ruído Rosa" foi praticamente gravado no seu quarto. Você tem trabalhado muito no computador? O que tem feito? Já existem planos para um novo disco do Pato Fu ou o lançamento de alguma coisa sua? JOHN - Sim, gravamos tudo no computador. Sou da escola dos estúdios "sem fita" e "sem mesa de som". Estamos produzindo material novo pra algo que deve sair no meio do ano. Acho que "coisas minhas" serão produções de bandas que pretendo fazer a partir do segundo semestre, aproveitando que estou ampliando o estúdio aqui...
MV - O Pato Fu já gravou duas músicas do Frank Jorge, você já fez uma participação num show do Los Hermanos e já foi visto algumas vezes com uma camisa da Video Hits. Que bandas nacionais que estão à margem da grande mídia também têm te despertado a atenção recentemente? Por que? JOHN - Ah, vou puxar a brasa pros meus conterrâneos aqui (o que não é o meu costume!): Valv e SurfMotherFuckers, duas bandas de BH que me surpreenderam com suas últimas demos. Acho que o principal para chamar a minha atenção é que a banda tenha personalidade e talento, juntos! Só uma dessas coisas não adianta... Outra banda bacana: Wonkavision, de Porto Alegre.
“Vida Imbecil” (John)
Fernanda Takai – violão e voz / John – programação, guitarra, violão e voz / Ricardo Koctus – baixo e voz
Sexta-feira, Fevereiro 15, 2002 ::: CHET BAKER Acabei de ler a autobiografia "Memórias Perdidas", de Chet Baker, morto em 1988, aos cinqüenta e nove anos com aquela carinha de noventa e três. Em primeiro lugar, achei muito curtinho, em três horas ele é lido tranqüilamente. Pensei até que teria posts para algumas semanas, mas é muito curto. Me decepcionei também com os poucos parágrafos que ele reserva para falar de música. Os dois principais assuntos abordados no livro são seu relacionamento com as drogas e os problemas com a polícia. Aliás, quantos problemas! São incontáveis as vezes em que o cara foi preso durante o período retratado no livro: volta e meia ele passava a noite na prisão; e chegou a cumprir penas de quatro até quinze meses! Os dramáticos relatos da experiência com as drogas são tratados quase que trivialmente. Se você passar batido, nem vai sentir a pungência de trechos como:
“… e internei-me na clínica de Villa Turo, em Milão, para uma sonoterapia. Dormi durante sete dias, alimentado, intravenosamente, por enormes garrafas penduradas em cima de mim”
ou
“Expliquei ao sargento que eu era dependente, e que minha médica era a dra. Frankau. Ele falou com ela, checou minha história e, em poucas horas, um grande envelope pardo chegou à cadeia. De quatro em quatro horas um dos guardas trazia-me o envelope e eu injetava a droga dentro da cela”.
Baker relata fatos como esse com uma naturalidade incrível.
Nas poucas vezes em que fala sobre música, conta como foi sua temporada com Charlie Parker na California e do Chet Baker Club, que abriu na Itália. Fala também sobre uma promissora sessão de gravação:
“Gravei um outro álbum de temas de Bob Zieff, com violoncelo, contrabaixo, clarinete baixo, trompa, oboé e flugelhorn. Mas o disco nunca foi lançado porque a gravadora decidiu que não tinha apelo comercial suficiente”.
Isso em 1959!
E, pra terminar, um dos poucos momentos onde Baker fala do seu irrestível jeito de tocar:
“Parece-me que a maioria das pessoas só se impressiona com três coisas: a rapidez com que se pode tocar, a altura que se pode atingir e o volume de som produzido. Acho isso um tanto exasperante, mas agora, mais experiente, vejo que provavelmente menos de dois por cento do público sabe realmente ouvir.”
O livro pode ser encontrado na livraria Argumento (Rio Design Barra) por $17,00.
“You Don’t Know What Love Is” (DePaul / Rayne)
Chet Baker – trompete e voz / Jimmy Bond – baixo / Lawrence Marble – bateria / Russ Freeman – piano
Quinta-feira, Fevereiro 14, 2002 ::: NAKED CITY A gravadora Tzadik anuncia para o mês que vem o lançamento do primeiro disco ao vivo do Naked City, banda que encerrou as atividades em 1993. O grupo contava com alguns dos principais músicos da cena nova-iorquina e surpreendeu o mundo em 1988 com o pioneirismo de sua mistura de jazz/death-metal com qualquer outro ritmo que se possa imaginar. Até hoje é a banda mais famosa de John Zorn e os fãs exigiam um disco ao vivo há tempos, desde que a gravadora começou a lançar anualmente apresentações ao vivo de outro grupo de Zorn, o Masada. O álbum “Naked City Live Vol. 1” sai no mês que vem e conta com o registro de um show realizado em Nova York em 1989.
“Reanimator” (John Zorn)
Bill Frisell – guitarra / Fred Frith - baixo / Joey Baron - bateria / John Zorn – saxofone / Wayne Horvitz - teclado / Yamatsuka Eye – voz
Quarta-feira, Fevereiro 13, 2002 ::: LOUD Parece que ainda não está confirmado, mas ao que tudo indica a abertura da temporada 2002 da Loud será no início de março com Little Quail and the Mad Birds. Clássico!
“Mamma Mia” (Gabriel Thomaz)
Bacalhau – bateria e voz / Gabriel Thomaz – guitarra e voz / Zé Ovo – baixo e voz
Terça-feira, Fevereiro 12, 2002 ::: ANTHONY COLEMAN Amanhã o público do Tonic (NY) assistirá a estréia do novo trio do surpreendente pianista Anthony Coleman: Los Professionales. Além de Coleman, o trio conta com Brad Jones (baixo) e Roberto Rodriguez (bateria), ambos do grupo de música latina de Marc Ribot. Então já deu pra ter uma noção do que virá por aí: jazz-latino da mais alta qualidade.
Este mês Coleman também lançará o terceiro disco de seu mais famoso trio: Sephardic Tinge, de klezmer. Apesar de ser judeu, não conheço nada da cultura judaica. Mas os melhores discos que tenho ouvido ultimamente são, em sua maioria, de klezmer. Aliás, “música de judeu” não é o Celebrare tocando “Hava Nagila”. Tem muita coisa bacana por aí; Masada, Naftule’s Dream e o próprio Sephardic Tinge são ótimos exemplos disso.
“Gevurah” (John Zorn)
Anthony Coleman – piano / Kenny Wollesen – bateria / Mark Dresser – baixo
Segunda-feira, Fevereiro 11, 2002 ::: DAVE DOUGLAS A cidade de Eugene, no Oregon, assistirá hoje uma das raras apresentações ao vivo de um dos meus quartetos favoritos: Charms of the Night Sky.
É uma banda formada pelo trompetista Dave Douglas com os músicos Guy Klucevsek (acordeon), Greg Cohen (baixo) e Mark Feldman (violino). O som desta inusitada combinação de instrumentos é o mais agradável possível. Douglas é um compositor muito prolífico, tem quase uma dezena de bandas para expôr sua obra. Este quarteto é onde ele apresenta seu lado mais suave e elegante. Aliás, as fotos que ilustram o encarte do primeiro disco são algumas das mais belas que já vi, traduzindo perfeitamente o que ouvimos no disco. Queria ter um scanner para colocá-las aqui. Uma delas mostra um hotel de beira de estrada, outra um estacionamento vazio e, a melhor, uma estrela cadente numa floresta no outuno.
Eles já lançaram dois álbuns, sendo que o segundo saiu no Brasil no ano passado, quando Douglas esteve por aqui no Chivas Jazz Festival. Pena que o show foi com seu sexteto de jazz tradicional, não com este grupo. Mas foi brilhante também.
Outro dia vi o primeiro disco à venda na loja Marcabru, na Gávea, por $52. É caro, muito caro, mas vale o investimento. Dependendo do seu estado de espírito, “Charms of the Night Sky” é o disco ideal para contemplar aquela madrugada sozinho na varanda (ok, ficou meio gay, mas é verdade).
“Bal Masqué” (Dave Douglas)
Dave Douglas – trompete / Guy Klucevsek – acordeon
Domingo, Fevereiro 10, 2002 ::: FESTIVAL RUÍDO & NETUNOS NA LAPA Com a promessa de ver Netunos num palco profissional com som bom pela primeira vez, rumei pra Lapa. De longe, ali perto do Asa Branca, só deu pra ouvir Carlão anunciando: “agora vamos tocar as últimas duas músicas do show”. Ah, valeu. Só deu tempo de curtir “Praia do Diabo” e “120”. Pena que a chuva que caía espantou todo o público, reduzido a algumas dezenas na frente do palco. Para quem já viu shows antológicos de Funk Fuckers, Los Djangos e MCs HC em outros carnavais, para milhares de pessoas, foi literalmente uma ducha de água fria. Após o Netunos deixar o palco, entrou um grupo de afoxé. Aí senti que era hora de puxar meu burrinho pro Ballroom.
Quem já trabalhou nisso sabe a trabalheira que dá. Parabéns ao Gabriel e ao Quick pela iniciativa de promover o festival. Aliás, os caras entendem do assunto: ótima divulgação, preços populares, som bacana, boa escalação… Espero que a segunda edição se repita no ano que vem.
A Phonopop, de Brasília, abriu a noite. Melodias bonitinhas aqui e acolá mas nada muito interessante. Contaram com a participação do Philipe Seabra, da Plebe Rude e produtor do disco dos caras, em uma música. Matanza entrou logo depois com seu furioso country-hardcore. Tocaram seus clássicos como “Imbecil”, “E tudo vai ficar pior” e “Ela roubou meu caminhão”. A performance um tanto quanto teatral do vocalista Bruno não me agrada, mas a intensidade com que Donida e Nervoso tocam acabam merecendo todos os olhares do público. Terceira banda: Zumbis do Espaço. Não curti, mas de longe deu pra ver que a lenda Melvin (ex-Hill Valleys) deu uma canja. Em seguida entraria uma das bandas mais cultuadas pela imprensa alternativa paulistana, Thee Butchers Orquestra. Fui cheio de expectativa e acabei me frustando com um rock animado muito sem graça. Não entendi o motivo de tantos elogios em zines e listas por aí. Para fechar, os Autoramas. Acho que já vi mais de vinte e cinco shows desses caras, desde a estréia deles, em 98, no Empório. Não tem muito o que comentar, sou fã e o set list abaixo fala por si só.
1. Deus me deu um cérebro
2. Paciência
3. Carinha triste
4. Ex-amigo
5. Eu era pop
6. Auto-destruição
7. Copersucar
8. Souvenir
9. A história da vida de cada um
10. Be my baby
11. Tudo errado
12. Você não soube me amar
13. Fale mal de mim
fotos: Netunos (Lapa) e Autoramas (Ballroom), cortesia Rafael Cosme
“A história da vida de cada um” (Gabriel Thomaz)
Bacalhau – bateria / Gabriel Thomaz – guitarra e voz / Simone do Vale – baixo e voz
Sábado, Fevereiro 09, 2002 ::: CARNAVAL NO RIO Pronto, é hoje. Quem ficou, ficou. Se antigamente permanecer no Rio durante o carnaval era sinônimo de ficar em casa sem fazer nada, hoje o quadro é bem diferente. Além dos blocos que têm interditado as ruas da zona sul, temos boas opções de shows. No sábado três eventos dividem a preferência dos “foliões”: Ballroom (com Autoramas, Matanza, Charanga 3D…), palco na Lapa (com Netunos, B.Negão, Vulgue Tólstoi…) e Armazém do Cais do Porto (com Brasov, Bangalafumenga, DJ Soul Slinger…). Já no domingo são duas as opções: palco na Lapa (Gabriel Muzak, Farofa Carioca, Maurício Negão…) e o Armazém (B.Negão, Vulgue Tólstoi, Mim…).
No Ballroom a entrada custa $10, no Armazém, $5 e na Lapa é de graça.
“Estética Terceiro Mundo” (Gabriel Muzak)
Gabriel Muzak – guitarra e voz / Guila – baixo / Jimmy Luv – base
Sexta-feira, Fevereiro 08, 2002 ::: VIDEO HITS Li na coluna do Lúcio Ribeiro (da Folha de São Paulo) que o guitarrista da Video Hits havia deixado a banda. Como na mesma coluna nosso amigo Lúcio anunciou para este final de semana um show que rolou em novembro do ano passado, achei melhor checar com uma fonte, digamos, mais segura.
MACACO VELHO - Li na coluna do Lúcio Ribeiro que o Guto Bozzetti saiu da Video Hits. É verdade? Tem algum motivo para essa lamentável baixa? DIEGO MEDINA - Cara, foi uma merda perder o Guto. O cara toca pra caralho e se encaixava perfeitamente na VH com suas composições e linhas de guitarra. Mas ele
resolveu por ordem na vida e desistiu de tocar com a gente.
Acho que encheu o saco de dar murro em ponta de faca com a música e decidiu arranjar um trabalho decente. Mas tudo aconteceu muito amigavelmente, conversamos, etc e tal.
Agora estamos atrás de outro guitarrista, mas tá foda de achar alguém que possa se encaixar na VH. Não é tão simples assim encontrar alguém capaz de ocupar o lugar do Guto.
MV - Como foi a repercussão dos dois maravilhosos shows que vocês fizeram nos principais festivais do país nos últimos meses (UpLoad e Humaitá Pra Peixe)? MEDINA - Ambos festivais ajudaram muuuiitooo a divulgar a VH. Festivais sempre são muito bons. Nunca tive uma experiência desagradável em tocar em festivais. Sempre foi um acontecimento super festivo, com muito gente legal e muita troca de informações legais.
O show do Upload foi bem legal, mas alguns problemas técnicos com a minha guitarra acabaram deixando a nossa apresentação meio prejudicada. Ter aberto o show da Graforréia Xilarmônica foi uma grande honra pra gente. Bota grande nisso! E eu finalmente pude te conhecer, Alex! A gente só se falava através de cartas e e-mails por anos a fio. Pude dar um abraço no cara que nos colocou numa gravadora grande. hehehehehe
Foda mesmo foi o show no Humaitá. Todo mundo da VH é doido pelo Rio! Como a gente curte essa cidade, caralho! Fora a beleza da união de praia com morros com cidade e choppinho gelado toda hora, a gente tem grandes amigos no Rio, um pessoal muito querido, muito gente fina.
Voltando ao Humaitá, eu já tinha tocado no espaço Sérgio Porto em 1994 com a Doiseu Mimdoisema. Era a décima edição do festival Superdemo. Foi nessa época que eu conheci pessoas que se tornaram grandes amigões meus, como o Pedro Sá e o Kassin. Então tocar de novo no Sérgio Porto foi uma baita satisfação. Fora a receptividade maravilhosa que o público carioca nos ofereceu no show. Saí do palco pisando em nuvens. Recebo e-mails de gente que nos viu no Humaitá e todo mundo elogiou bastante nossa apresentação. Não imaginava que a gente fosse ser tão bem recebido naquela noite. Maravilha!
MV - Onde podemos arrumar gravações ao vivo de vocês? Têm algum plano de colocar em mp3 no site, alguma coisa assim? Porque os shows de vocês são excelentes, cheio de improvisos, covers bacanas etc.
MEDINA - Pois é. Assim que a gente conseguir gravar nosso segundo disco (que vai ser gravado com ou sem gravadora. foda-se!), vamos mudar toda a cara do site.
Daí vamos poder colocar novos MP3 por lá. Por enquanto, vou ficar devendo gravações ao vivo. Temos uns 3 ou 4 CD-Rs de shows nossos, mas pouca coisa legal dá pra se tirar dali. Tem um acústico nosso feito pra uma rádio local que ficou bem interessante. Talvez seja nosso melhor registro ao vivo por enquanto.
MV - A Video Hits ainda mantém alguma relação com a Abril Music? MEDINA - Não. Levamos o clássico pé-na-bunda porque não conseguimos vender o suficiente no curto espaço de tempo que eles desejavam. Uma bosta, mas antes sermos dispensados duma vez do que a gravadora ficar cozinhando a gente por anos sem fazer nada pela banda.
MV - O Frank Jorge já está em estúdio gravando um novo disco. Tem coisa nova da VH vindo por aí? No show do Humaitá Pra Peixe vocês tocaram uma inédita muito bacana. MEDINA - (risada maquiavélica) Rararararererere....... Tem coisa nova sim e vocês não perdem por esperar.... Falando sério agora, estamos terminando de gravar / mixar uma demo com 10 músicas novas e tá ficando muito legal. Deixamos um pouco de lado o lance da jovem guarda e estamos nos inspirando em Frank Jorge e Mopho, pra falar dos nacionais. Dos internacionais, acho que a banda tá soando como uma mistura de Jellyfish, Ben Folds Five (do primeiro disco) e Super Furry Animals. As músicas novas estão abarrotadas de melodia, um pouquinho mais experimentais, com barulhinhos, andamentos quebrados e coisas do gênero. Não foge muito do trabalho apresentado no primeiro disco, mas que tá diferente isso tá. Tô doido pra gravar o segundo disco e chamar vários amigos pra participar. E dessa vez TEM QUE SER no estúdio Dreher. Mestre Thomas no comando!
Ah! A inédita que tocamos no Humaitá foi "Garoto Boa Pinta", uma das minhas músicas novas preferidas. Essa aí nasceu muito inspirada em Frank Jorge.
MV - Além da banda, o que você tem feito ultimamente? Tem publicado seus desenhos na Folha? Fanzine, projetos paralelos, alguma coisa? MEDINA - Isso aí. Ilustrando todo santo dia as páginas de esporte da Folha de São Paulo, acabando de finalizar meu portifólio de ilustrações, mixando a demo nova da VH, tocando com Os Massa (banda de amigos bebuns com grandes hits), amando a Carla, gravando músicas e barulhinhos no meu computador e chorando por não poder passar o carnaval desse ano no Rio de Janeiro e pular com a Charanga.
“Sentido Anti-Horário” (Diego Medina)
Diego Medina – guitarra e voz / Frank Jorge – teclado / Gustavo Steffens – baixo / Guto Bozzetti – guitarra / Michel Vontobel – bateria e voz / Thomas Dreher – violão
Quinta-feira, Fevereiro 07, 2002 ::: JOHN ZORN Pra quem está em Nova York (tá bom…) a boa de hoje é John Zorn ao vivo no Tonic. Zorn é meu ídolo: como compositor, saxofonista, produtor e empresário. O homem é uma lenda viva, ainda vou falar muito dele por aqui; sempre aproveitando os ganchos de seus novos discos ou de suas apresentações.
A de hoje é no Tonic, a melhor casa de shows de NY, onde se apresentam os artistas mais interessantes que se tem notícia. O lugar tem apenas 150 lugares e geralmente fica lotado. Na agenda de hoje anuncia-se John Zorn Improv Night. Ele tem feito essas “noites do improviso” com uma certa freqüencia. Quase nunca anuncia as atrações, é sempre uma surpresa para o público. Ninguém sabe o que esperar do set de hoje. Pode ser qualquer coisa. Qualquer coisa mesmo. Vou ver se consigo achar algum comentário em algum lugar da internet amanhã e coloco aqui.
Bom, é hoje às 20h e 22h, U$12 cada.
“The Possessed” (John Zorn)
Bill Laswell – baixo / Dave Lombardo – bateria / Fred Frith – guitarra / John Zorn – saxofone
Quarta-feira, Fevereiro 06, 2002 ::: EM ESTÚDIO Dois dos mais criativos e talentosos artistas brasileiros estão em estúdio gravando seus novos álbuns: Frank Jorge e Brasov. Ainda no primeiro semestre vamos conferir o resultado.
“Serei Mais Feliz” (Frank Jorge)
Frank Jorge – baixo, guitarra, teclado, violão e voz / Wilson Picco – bateria
Terça-feira, Fevereiro 05, 2002 ::: MUNDO LIVRE S/A Recentemente eles foram ‘demitidos’ da Abril Music. Talvez esse tenha sido um passo tão importante quanto o contrato que assinaram com o Banguela há quase dez anos. A Abril não é pra eles. Ou melhor, a Abril não os merece. Talvez livres da ‘geladeira’ que amargavam na gravadora paulistana, a banda consiga dar continuidade à sua brilhante carreira. E o primeiro passo já foi dado: acabam de lançar uma música pela internet. Na verdade não é uma música nova e, sim, uma sobra do “Por Pouco”. Chama-se “Caiu a ficha” e você pode baixá-la clicando aqui. E aqui para ler um texto de Fred 04 sobre a faixa. Sinceramente não curti. É mais uma demo do Fred para os outros integrantes, ainda não é o Mundo Livre. Mas promete.
“Trabalho, trabalho, novo trabalho…”.
“Mon Amour, Meu Bem, Ma Femme” (Cleide)
Fábio – baixo / Fred 04 – guitarra, teclado e voz / Guilherme Sapão – trompete / Marcelo Pianinho – percussão / Tony – bateria
Segunda-feira, Fevereiro 04, 2002 ::: WEEZER Há meses atrás o Offspring causou o maior rebuliço na mídia ao anunciar que colocaria seu novo disco inteiro, em mp3, no site oficial da banda. Ameaças de processo da Sony, fãs se manifestando em todos os cantos, discussões sobre futuro do mercado fonográfico, mp3, pirataria, aqueles papos de sempre.
Há algumas semanas atrás, quem disponibilizava todo o seu novo álbum no site oficial era o Weezer. Sem mídia, sem bagunça, nem nada, colocaram mais de trinta músicas da pré-produção do disco “Maladroit” no site. Pros fãs era uma festa! Às vezes as músicas tinham sido gravadas dois dias antes e já estavam disponíveis. Todo o processo de seleção dessas faixas também era acompanhado pelos fãs: às vezes tinham quatorze, às vezes doze, às vezes invertiam a ordem, todo dia mudavam o ‘track-list’ do álbum. Era uma relação que nem banda underground tem, era muita exposição.
Neste momento eles estão mixando o álbum e retiraram quase todos os arquivos em .mp3 da página, deixando só o single “Dope Nose” disponível. Mas fã que é fã já tem seu próprio “Maladroit”. E fã que é fã vai comprar o “Maladroit” do Weezer. O que eles fizeram não encerra a discussão .mp3 x indústria, mas serve como um belo argumento para os que já enxergaram que não há como controlar mais esse tipo de mídia. Tiraram o ‘versus’ dessa relação. Por mais que os executivos criem campanhas (inúteis) ou que os engenheiros criem mecanismos impedindo a reprodução, sempre se achará um jeito de divulgar música na internet. Ao invés de perder tempo tentando lutar contra isso, o Weezer usou ao seu favor. Ótimo pra eles e pros fãs.
Agora vamos ao que realmente interessa. O ‘meu’ “Maladroit” é lindo. São 31 músicas em uma hora e quinze minutos. O disco é uma continuação do “Green Album”. Às vezes surgem refrões belíssimos no meio de canções pouco inspiradas, o som (limpo, mas com o peso na medida) é idêntico ao do disco anterior e os backings de “Pinkerton” continuam fazendo falta. Ainda tem um hardcore aqui e acolá, mas são as músicas lentinhas que se destacam. “Acapulco”, “Burndt Jam”, “Slob” e “Death & Destruction” são algumas das melhores já compostas por Rivers Cuomo.
É ótimo descobrir que ainda dá pra ouvir, com muito prazer, uma banda de rock. E melhor ainda saber que essa banda é, atualmente, uma das maiores do mundo. Bacana.
“Slob” (Rivers Cuomo)
Brian Bell – guitarra e voz / Mikey Walsh – baixo e voz / Patrick Wilson – bateria / Rivers Cuomo – guitarra e voz
CARNAVAL NO RIO Os cariocas terão duas opções nesse ano. Além do quase tradicional palco montado na Lapa, o festival Ruído promete duas noites de rock no Ballroom.
A programação da Lapa ainda não foi divulgada, mas, confirmada a curadoria de Elza Cohen, provavelmente teremos os mesmos artistas dos últimos anos: Bnegão, Gerson King Combo e os grupos de hip hop que se apresentam na Zoeira. Por enquanto, de novidade na Lapa, Netunos.
Já o festival Ruído terá a seguinte escalação:
Sexta-feira, dia 8 – Dead Fish, Mukeka di Rato, Bois de Gerião, Narjara e Casino
Sábado, dia 9 – Autoramas, Matanza, Thee Butchers Orquestra, Phonopop e Zumbis do Espaço
A entrada sai por $10 ou $15 (passaporte para as duas noites).
“Copersucar” (Gabriel Thomaz / Simone do Vale)
Bacalhau – bateria / Gabriel Thomaz – guitarra e voz / Simone do Vale – baixo e voz
Domingo, Fevereiro 03, 2002 ::: ANDREW BIRD'S BOWL OF FIRE Fiquei sabendo que a Trama vai lançar os três discos do incrível violinista Andrew Bird. Excelente!! Aliás, ótimo trabalho que a Trama vem fazendo lançando essas belezas a preços acessíveis.
Bom, Bird é o violinista extra-oficial do Squirrel Nut Zippers, aquela excelente banda de swing. Seu som é na mesma linha do Squirrel, só que tem um clima mais "interiorano", não sei como explicar. Enquanto o Squirrel está nos bailes tocando para dezenas de casais, Bird está na varanda do quintal de sua casa com seus amigos. Integrantes do próprio Squirrel aparecem em "Thrills", primeiro e único álbum dele que conheço: a vocalista Katharine Whalen (cria de Billie Holiday) dá o ar de sua graça em três músicas e James Mathus faz o melhor solo de trombone que já ouvi, em outra faixa. Vou tentar colocar um trechinho em real audio logo.
“Pathetique” (Andrew Bird / Heinrich Heine)
Andrew Bird – violino e voz / James Mathus – guitarra e trombone / Josh Hirsch – baixo / Katharine Whalen – backing vocals / Kevin O’Donnell – bateria
YAMANDÚ COSTA Outro CD que comprei recentemente foi "Yamandú", do violonista Yamandú Costa. Estava baratinho também: $11,92 na FNAC do Barrashopping. Mas não recomendo não, me decepcionei. Vi um show do Yamandú com Paulo Moura ano passado no SESC-Copacabana. Faltou energia na casa e os dois improvisaram um excelente set acústico. Mas acústico mesmo, somente violão e clarinete. Não havia força para ligar os microfones, retorno, P.A., nada. A casa ficou no mais absoluto silêncio para ouvir os dois. E foi belíssimo. Tocaram Piazzolla, Ernesto Nazareth, Lamartine Babo... Histórica noite. Mas no CD faltou alguma coisa. Lendo a ficha técnica surge uma pista. Zé Nogueira assina a produção executiva; e ele tem a manha de deixar sem graça tudo o que mete a mão, de Ney Matogrosso a Moacir Santos. Lamentavelmente, com "Yamandú" não foi diferente.
“Cristal” (Yamandú)
Yamandú Costa – violão 7 cordas
Sábado, Fevereiro 02, 2002 :::
Ontem tive uma das maiores surpresas da minha vida. Estava passeando na Gávea e resolvi entrar numa lojinha de CDs escondida num shopping bacana. Encontrei discos que não se encontram em lugar algum do Rio por preços bem justos. Mas a seção de usados era uma coisa. Nunca vi nada igual. Levei três CDs:
Cada um por míseros $10,00! Só para ter uma idéia... Se comprasse esses mesmos discos na CD Point gastaria $103,54. E ficaria sem o do Zorn, que não vende lá. Uma pechincha. A loja chama-se Marcabru e fica na Marquês de São Vicente, 124, segundo andar.
“Afrique” (Lee Morgan)
Billy Martin – bateria / Chris Wood – baixo / John Medeski - piano
MACACO VELHO Não me acho um macaco velho, muito pelo contrário. Muito mesmo.
Quem me falou essa expressão há mais de cinco anos atrás foi Chico Science. Fazia um fanzine com um amigo meu e fomos entrevistá-lo. Na hora de tirar uma foto, Chico posou e mandou uma "é isso aí, macaco velho!". Foi na porta do camarim do, na época, Metropolitan. Chico e a Nação iriam tocar num festival de verão da Coca-Cola, alguma coisa nesse sentido. Na mesma noite tocariam Paulinho Moska e mais alguém que esqueci. Ainda não era o derradeiro, na abertura dos Paralamas.
Explicado o nome do blog, vamos ao seu indireto padrinho.
Hoje é "aniversário" da morte do Chico. A MTV exibiu alguns especiais com ele durante a tarde inteira. Odeio isso. Odeio "comemorar" a morte de alguém, lembrar da data da partida. Não faz sentido. Não quero lembrar daquele dia em que estava em casa e vi um repórter da GloboNews comunicando o fato. Antes os especiais fossem exibidos na data de aniversário. E a do Chico está tão próxima, será no próximo dia 13 de março. Mas acho que essa morbidez faz parte. O espetáculo em cartaz de maior sucesso do Rio de Janeiro é o musical Elis. Lançado quando se completam 20 anos de sua morte. Triste isso.
Bom, comecei o blog e não falei de música... Faz parte.
“Refuse/Resist” (Sepultura)
Chico Science – voz / Dengue – baixo / Gilmar, Gira e Jorge du Peixe – tambores / Lúcio Maia – guitarra / Pupilo – bateria / Toca Ogam - percussão
Olá!
Desisto de tentar arrumar o lay-out disso aqui.
Na segunda-feira chamo meu mentor Rafael pra me ajudar.
Vamos ao trabalho, então.
Apresentações: meu nome é Alex e gosto de música. O blog é pra isso, pra escrever sobre música. E só.
Já fiz fanzine, já escrevi pra revista, já fiz faculdade de comunicação. Mas isso foi há muito tempo, hoje estou
muito enferrujado, como você pode percerber.
Em breve vou colocar uns links de algumas bandas bacanas por aqui. Assim que aprender a mexer.
Pronto. Comecei. Vamos ver quanto vai durar essa brincadeira.