Macaco Velho M?sica. Shows. Discos.



Domingo, Março 31, 2002 :::
 
OS TREMENDÕES
Casa da Matriz, 25 de março de 2002



Há algumas semanas o Melvin, baixista do Carbona e agora também do Leela, me contou do seu novo projeto: Os Tremendões, uma banda cover de Roberto Carlos. Excelente! Ainda mais de que ao lado de Melvin estariam alguns dos mais importantes músicos do underground carioca: Renato (Influenza), Gabriel (Autoramas), Nervoso (Matanza) e Marcelo (Carne de Segunda). O show aconteceria algumas semanas depois na Casa da Matriz. Desde então fiquei contando os dias para vê-los ao vivo. Além do repertório do Roberto Carlos, a oportunidade de ver três ex-Acabou la Tequila juntos era outro forte atrativo

Mas a estréia dos Tremendões contou com um palco pouco apropriado para a ocasião. Se o clima na Casa era dos melhores, o mesmo não se pode dizer do som, mal equalizado e cheio de rame durante a maior parte do espetáculo .

De qualquer maneira esses problemas serviram para atiçar ainda mais o bom humor dos músicos. Como nos tempos do Tequila, piadinhas e brincadeiras estavam presentes em todos os intervalos. Inclusive antes do início do show, enquanto o técnico equalizava o som, Gabriel Thomaz cantou uma bizarra versão de “Anna Júlia” misturada com “Será”, ‘composta’ pelo Zé Ovo. Mas o mais importante eram as canções do homenageado da noite. Um set muito bem escolhido pinçou o melhor da carreira de Roberto Carlos, de meados dos anos 60 até músicas do final dos anos 70, como “O Portão” e “Amigo”. De fora do repertório dele, somente “Prova de Fogo”, cantada pela Érika do Penélope, que aproveitou e também participou em “Você não serve pra mim”.

Nas outras canções Gabriel, Renato e Nervoso se revezavam nos vocais; enquanto que Melvin colocou sua voz pra fora somente em “Se você pensa”. Nunca tinha visto o baixista fazendo nem backing, e não é que ele mandou muito bem? Surpreendeu.

Apesar do figurino deles indicarem o contrário, as versões foram bem sérias e respeitando os arranjos originais. Só que com uma pegada rock que Roberto Carlos nunca sonhou e nem Eduardo Lages permitiria. Se nos shows atuais Roberto demonstra um mau gosto terrível ao colocar as cordas tocadas por um tecladista, na Casa da Matriz Nervoso incorporou Lafayette e fez o teclado soar como deve ser, por exemplo. Muito bom.

Apesar do sucesso, ainda não há planos de novas apresentações. A produção da Loud foi sondada e demonstrou interesse em tê-los numa noite em breve. Seria perfeito. Afinal, apesar de contar até com cobertura da MTV, o local mal comportou as cerca de cinqüenta pessoas presentes. Segue o set list (resgatado pelo Rafael Cosme) para quem não foi, se animar e ir no próximo.

nao há dinheiro que pague
lobo mau
nada vai me convencer
o portão
negro gato
eu te amo, eu te amo, eu te amo
ciúme de voce
se você pensa
namoradinha de um amigo meu
as curvas da estrada de santos
eu te darei o céu
o sósia
prova de fogo
você não serve pra mim
quero que vá tudo pro inferno
eu sou terrível
amigo

Você não serve pra mim” (Renato Barros)
Roberto Carlos – voz / outras informações indisponíveis





::: posted by Alex at 5:15 PM



Sábado, Março 30, 2002 :::
 
VIDEO HITS
Já está no ar, algumas semanas antes do previsto, o site com a última demo da Video Hits. São doze belas canções para você baixar pro seu micro, passar para um CD, colocar num discman, pegar a bicicleta e sair pedalando feliz pro aí. O funcional site, hospedado no MP3.com, ainda traz a ficha técnica de todas as músicas e alguns comentários do próprio Diego Medina. Na minha opinião, o melhor trabalho da carreira da banda.

Aproveite e visite outros dois sites com material do Medina. O do Senador Medinha disponibliza algumas raridades como uma versão acústica de “Bomba” (Video Hits) e “Jumbo Man”, trilha de uma animação que ele produziu. Em breve devem entrar algumas músicas da antiga e lendária banda dele, o Doiseu Mimdoisema.

Já o site do bizarro grupo Os Massa tem vinte e duas músicas disponíveis, a maioria delas com participação do Diego Medina. O som... Bom, o som só ouvindo mesmo. Inclassificável. Um monte de gaúcho maluco junto experimentando no estúdio do Thomas Dreher só podia dar no que deu. E nesse final de semana eles vão para um sítio gravar mais músicas. Não dá nem pra prever o que vem aí.

Fechando o estabelecimento” (Video Hits)
Diego Medina – baixo, guitarra e voz / Drégus – voz / Guto Bozzetti – guitarra / Michel Vontobel – bateria / Thomas Dreher – teclado




::: posted by Alex at 12:24 AM



Sexta-feira, Março 29, 2002 :::
 
MARC RIBOT Y LOS CUBANOS POSTIZOS
Algumas notinhas relacionadas à brilhante banda de Marc Ribot...

Amanhã eles tocam no Tonic (NY), a casa da música underground nova-iorquina. Na década passada quem possuía esse título era o lendário Knitting Factory mas após vários problemas de administração os artistas começaram a migrar para o vizinho Tonic. Não que o Knitting Factory esteja abandonado (neste mês o Jon Spencer Blues Explosion toca por lá), mas o Tonic, com pouco mais de cem lugares, tem sido o local preferido dos artistas marcarem suas apresentações. O show dos Cubanos Postizos de hoje marca o fim de uma temporada da banda. Agora Marc Ribot vai se dedicar à turnê de seu novo disco, “Saints”.

Quem presenciou um dos shows dessa turnê foi minha grande amiga Barbara. Ela, que está morando na Dinamarca, leu aqui que a banda passaria por lá em seu giro pela Europa. Tratou rapidamente de comprar os ingressos e conseguiu ver o show. Ela, fã incondicional de punk rock que já arrastei para shows de Bill Frisell e Dave Douglas, adorou. Disse que a apresentação foi ótima e tocaram músicas como a belíssima “La Vida És un Sueño”, de Arsenio Rodriguez, e a animada “Baile Baile Baile”, do próprio Ribot. O melhor disso tudo é que ela tirou algumas fotos, me mandou pelo correio e vai chegar logo logo. Em breve coloco por aqui.

O que o correio já me entregou foi o primeiro disco de Roberto Rodriguez, percussionista dos Cubanos Postizos. O álbum chama-se “El Danzon de Moises” e é uma viagem pela pouco conhecida comunidade judaica de Cuba. Um híbrido de klezmer com música latina. Alguns dos expoentes da música judaica participam do disco, como o clarinetista David Krakauer e o violinista Mark Feldman. Brad Jones, também dos Cubanos, é o baixista do álbum. Rodriguez se saiu muito bem em seu primeiro disco solo, o resultado é fabuloso. Comento ele aqui em breve.

La Vida És Un Sueño” (Arsenio Rodriguez)
Brad Jones – baixo / EJ Rodriguez – percussão / John Medeski – orgão / Marc Ribot – guitarra e voz / Roberto Rodriguez – percussão




::: posted by Alex at 6:19 PM



Quinta-feira, Março 28, 2002 :::
 
TIN HAT TRIO
Há dois anos que o brilhante Tin Hat Trio não lança um disco. O último foi o sublime “Helium” de 2000. Com Mark Orton dividindo-se entre o violão e o banjo, Carla Kihlstedt no violino e na viola e Rob Burger em todos os intrumentos de teclas que se possa imaginar, o trio alcançou uma sonoridade única e difícil de descrever. É belo, leve e impecavelmente executado – mas sem ter aquele cheiro de estúdio; ouvem-se as cordas do violão estalando e o arco arranhando o violino, por exemplo. As influências cobrem um campo vastíssimo: acústico e sem nenhum instrumento percussivo, o disco tem desde country até tango. Mas tudo com aquela sonoridade que só eles possuem, é o tipo de banda que você reconhece de cara. Em “Helium” contaram com as participações de amigos como Tom Waits e Trevor Dunn.

Bom, apesar de não ter nenhum álbum lançado eles estão em turnê pelos Estados Unidos fazendo a trilha sonora ao vivo de filmes-mudo do russo Ladislaw Starewicz. A apresentação de hoje no Tonic (NY) cobrirá os filmes que Starewicz filmou entre 1911 e 1925.

Longe de ser uma novidade, este interessante tipo de projeto tem sido apresentado com cada vez mais freqüencia. No ano passado John Zorn e Fantômas fizeram apresentações dessa maneira em filmes do cineasta Kenneth Anger. Zorn fez a trilha de “Fireworks” e “Eaux d’Artifice”, enquanto que o Fantômas apresentou sua versão para “Lucifer Rising”. E no começo do ano Philip Glass conduziu uma orquestra enquanto o filme “Dracula” era exibido no Theatro Municipal do Rio.

“Tin Hat Trio with Ladislaw Starewicz films”, o nome do programa, deve ser uma experiência desse nível.

Old Grey Mare” (Carla Kihlstedt)
Carla Kihlstedt – viola / Mark Oton – violão / Rob Burger – acordeom




::: posted by Alex at 2:00 AM



Quarta-feira, Março 27, 2002 :::
 
ZUMBI DO MATO
Em comunicado oficial acaba de ser anunciada a saída do tecladista Marlos Salustiano do Zumbi do Mato. Marlos estava na banda há dez anos e sai para se dedicar às suas outras bandas Clark Christo e Ombak. Um CD solo, intitulado “Animal Apócrifo”, está previsto para ser lançado em maio.

A saída de Marlos, compositor erudito, representa uma mudança muito grande no lendário Zumbi do Mato. Seu característico tecladinho Casio era uma das primeiras coisas que chamava atenção no bizarro som do Zumbi. Vai fazer falta mas a banda já arrumou um substituto para as próximas apresentações. Ricardo Dias Gomes, tecladista do Brasov, estreará no grupo no programa Atitude.com (TVE) na próxima segunda-feira, primeiro de abril. Será a primeira oportunidade para conferir a nova formação do Zumbi e até algumas músicas inéditas.

O Alien que veio pro espaço” (Zumbi do Mato)
Bernardo Carvalho – bateria / Bnegão – voz / Löis Lancaster – voz / Marlos Salustiano – teclado / Zé Felipe – baixo




::: posted by Alex at 1:36 AM



Terça-feira, Março 26, 2002 :::
 
BILLIE HOLIDAY
"Body and Soul"

Devem existir mais de dez álbuns de Billie intitulados “Body and Soul”. Este aqui, recém-lançado pela gravadora Verve traz oito das dezoito músicas da última seção de gravação dela com uma banda de jazz. Não entendi porque não colocaram tudo, mas enfim. O que está aqui é maravilhoso. Apesar de todos os problemas de saúde (ela viria a falecer menos de dois anos depois) sua voz ainda estava perfeita. Ok, perfeita não. Mas já tinha atingido sua maturidade e nos deliciou com lindas versões de “Embraceable You”, “Come Love” e “Moonlight in Vermont”. Aqui também temos uma ótima banda por trás. No ano anterior (56) ela tocou no Carnegie Hall com um excelente grupo (que contava com Coleman Hawkins e Chico Hamilton, por exemplo) que elaborou arranjos truncados, difíceis e geniais para seu show. Aqui os arranjos são bem mais simples, gostosos mesmo, um disco de jazz para se ouvir a qualquer hora.

Depois dessa, Billie só voltaria aos estúdios mais duas vezes, para gravações com Ray Ellis. A primeira delas foi o histórico “Lady in Satin”, onde ela cantou acompanhada por uma imensa orquestra de mais de quinze integrantes na seção de cordas, dez na de sopros e por aí vai. A segunda gravação tentou repetir a fórmula mas o resultado foi decepcionante, muito por causa de sua já debilitada condição física.

“Body and Soul”, gravado em janeiro de 1957, tem essa importância história. Mas não é por isso que ele não tem saído do meu toca-discos.

Embraceable You” (George Gershwin / Ira Gershwin)
Barney Kessel – guitarra / Ben Webster – saxofone / Billie Holiday – voz / Harry Edison – trompete / Jimmy Rowles – piano / Larry Bunker – bateria / Red Mitchell – baixo




::: posted by Alex at 11:24 PM



Segunda-feira, Março 25, 2002 :::
 
JOHN ZORN
"The Gift"

Hoje o público londrino terá a oportunidade de assistir à segunda apresentação ao vivo da obra “The Gift”, de John Zorn. O álbum foi lançado no ano passado e trouxe um lado de Zorn muito pouco conhecido. Uma faceta lounge, romântica e cool do compositor. Nada de experimentalismos radicais, free jazz, composições de meia hora, temas judaicos ou qualquer coisa mais conhecida dele. Uma maravilhosa banda formada por Marc Ribot (guitarra), Jamie Saft (teclado), Trevor Dunn (baixo), Cyro Baptista (percussão) e Joey Baron (bateria) toca algumas das mais suaves músicas já escritas por Zorn. E eles se saem muito bem fora do seu terreno natural. Clique aqui para ver algumas fotos do único show que fizeram juntos, no ano passado em Nova York. A apresentação de hoje (quase sold out) no Barbican contará com essa banda e participações especiais do trompetista Dave Douglas e do percussionista Roberto Rodriguez. Assim que encontrar alguma coisa na internet sobre como foi, posto aqui.

La Flor del Barrio” (John Zorn)
Joey Baron - bateria / Marc Ribot – guitarra / Trevor Dunn – baixo





::: posted by Alex at 11:40 AM



Domingo, Março 24, 2002 :::
 
LATUYA
"Latuya"

Um ótimo CD-demo que tem circulado pela cidade é o de estréia da banda Latuya. Na verdade não é uma banda e sim um projeto solo de Flávio Danza. O Latuya é uma bela notícia para o cenário carioca, que anda muito carente de novidades. Um exemplo disso foi o último Humaitá pra Peixe. Nenhuma cara nova apareceu no mais importante festival do Rio: Bnegão, Leela, Jimi James, Cabelo e Paralelo 8 contam com as mesmas pessoas que trabalham na cena há muitos anos. Já o Latuya é uma novidade genuína e muito bem-vinda. O som é um rock suingado (mas sempre lento, pra balançar a cabeça junto) com pitadas de mpb e samba aqui e ali (hmmm... com essa definição eu ficaria longe da banda – ou eu me expressei muito mal ou o Flávio conseguiu extrair o melhor desses estilos). Pra quebrar com o meu argumento, um nome conhecido participa do disco: Rodrigo Barba (Los Hermanos) gravou a bateria de todas as faixas. Muito bom, espero o show.

Perdoa” (Flávio Danza)
Flávio Danza – baixo, efeitos, guitarra e voz / Rodrigo Barba – bateria




::: posted by Alex at 12:38 AM



Sábado, Março 23, 2002 :::
 
FRANK JORGE
O genial músico e compositor gaúcho está na fase final da gravação de seu novo álbum, que deve se chamar “Vida de Verdade” e está sendo produzido por Iuri Freiberger. Todas as bases e vocais, gravados no estúdio de Thomas Dreher, já estão prontos. Agora estão faltando as cordas e os metais, cujos arranjos ficaram a cargo de amigos como Marcelo Camelo, Rodrigo Amarante, John, Fernanda Takai e Nando Reis. Os dois últimos também aparecem cantando. O disco vem num clima anos 60 total, com claras influências de Animals, Beach Boys, psicodelismo e lounge. Mas tudo com o sabor e a marca de qualidade Frank Jorge. Ainda não há previsão de lançamento, mas provavelmente Frank já vai tocar algumas músicas de “Vida de Verdade” nos próximos shows. Aliás, o próximo será no dia 30 de março, no festival Cabron, em Florianópolis, com Onno, Laranja Freak e Faichecleres, entre outros.

Putz, esse eu aguardo ansioso.

Homem de Neanderthal” (Frank Jorge)
Frank Jorge – baixo, guitarra, teclado, violão e voz / Wilson Picco – bateria




::: posted by Alex at 1:29 AM



Sexta-feira, Março 22, 2002 :::
 
OS TREMENDÕES



O final de semana do Rio traz algumas boas opções de shows: hoje tem a OSB tocando Stravinsky no Municipal, amanhã o baterista T.S. Monk toca os clássicos do papai Thelonious no Mistura Fina e no domingo, Pato Fu de graça no Aterro do Flamengo. Mas a melhor opção de todas é o show dos Tremendões, segunda-feira, na Casa da Matriz. Uma all-star band formada por Renato (Influenza, guitarra), Gabriel (Autoramas, guitarra), Nervoso (Matanza, teclado e violão), Melvin (Leela, baixo) e Marcelo (Carne de Segunda, bateria) tocará clássicos e músicas obscuras do repertório do Rei Roberto Carlos. Imperdível.

Quando” (Roberto Carlos)
Roberto Carlos - voz / outras informações indisponíveis




::: posted by Alex at 12:39 AM



Quinta-feira, Março 21, 2002 :::
 
VIDEO HITS - ERRATA
Diego Medina manda avisar que há um equívoco no post de ontem sobre o fim da banda. Resumindo o texto, parece que a Video Hits teria acabado porque ficou sem gravadora. Medina pede para avisar que “isso é um grande engano”. Na verdade aquela foi só a impressão que tive diante de alguns fatos. Um deles foi a saída do guitarrista Guto Bozzeti, pelo motivo que Medina disse na época: “acho que (ele) encheu o saco de dar murro em ponta de faca com a música e decidiu arranjar um trabalho decente”. E, alguns dias depois, sairiam as vocalistas Carla e Vivian. Mas foi uma impressão errônea, escrevi sem consultar as fontes. Para maiores esclarecimentos, segue a íntegra do email que Diego mandou para a lista de discussão da banda.


“Video Hits (1997 - 2002)
R.I.P.

a) A Video Hits acabou nesse fim-de-semana;

b) A Video Hits vai fazer seus derradeiros últimos shows na abertura pros Los Hermanos dia 10 de abril (Opinião - Porto Alegre) e no festival gratuíto que será realizado na praia de Ipanema - 13 de abril (Rio de Janeiro) (OBS.: a data do Rio poderá ser mudada);

c) O Guto vai voltar a tocar com a banda nesses 2 últimos shows;

d) As gurias vão voltar a tocar na VH nesses 2 últimos shows;

e) A VH vai liberar a nova demo na íntegra na internet. Aguardem + ou - duas semanas.

Isso não é trote ou boato ou o raio que o parta. A Video Hits decidiu encerrar as atividades sonoras nesse fim-de-semana. Não vou ficar explicando a história toda. Só digo que foi muito melhor pra gente acabar com o grupo. Acreditem.

Qualquer bobagem que vocês possam ouvir de terceiros sobre o final da banda é puro boato ou fofoca estúpida. Ainda não surgiu nenhum boato (até porque a gente decidiu acabar com a banda nesse fim-de-semana), mas já digo de antemão que ninguém saiu brigado ou xingando a mãe do fulano. A gente se reuniu ontem à noite num boteco, bateu um belo papo tomando cerveja como se estivéssemos comentando um filme ou conversando sobre futilidades. Simples, rápido e indolor.

Bom lembrar que o final da VH não é o final de tudo. Tenho certeza absoluta que logo logo vocês vão estar ouvindo falar de cada integrante da VH. Eu tenho um lindo projeto pra esse ano e pretendo chamar os camaradas da VH pra dar uma mão no troço. E aposto que muito em breve cada um dos guris - o Mike, o Bizza e o Gustavo - estará mirabolando algum projeto maravilhoso que vai surpreender o pessoal de novo.

Medina”

"O Basset Azul" (Diego Medina / Michel Vontobel)
Carla Viceconti – voz / Diego Medina – guitarra e voz / Edu Bisogno – teclado / Gustavo Steffens – baixo / Guto Bozzetti – guitarra / Michel Vontobel – bateria / Vivian Schäfer – voz






::: posted by Alex at 7:13 PM



Quarta-feira, Março 20, 2002 :::
 
MIKE PATTON E O INCIDENTE EM LONDRES
O empresário do Tomahawk acaba de divulgar uma nota oficial esclarecendo o que realmente aconteceu em Londres na semana passada (ler post dia 13 de março). Uma reunião com membros de bandas de ‘new metal’ estava marcada no camarim para antes do show. O objetivo era encontrar com Mike Patton para pedir sua aprovação para o lançamento de um disco tributo ao Faith No More e convidar os mesmos a se reunirem para fechar um festival que estava sendo elaborado. Entre os presentes estavam Fred Durst (Limp Bizkit), Chino Moreno (Deftones), Joey (Slipknot) e o próprio Bill Gould (Faith No More). A reunião corria bem até Patton se irritar com Moreno, que estava bêbado, e abandoná-la. Foi aí que um segurança da casa o puxou pelo braço e tentou mandá-lo de volta para o camarim. Patton e o segurança quase brigaram, rolou aquele tumulto básico e a reunião foi cancelada. Quando somente o Tomahawk estava no camarim, o guitarrista da banda mostrou pra Patton um pênis de borracha, que jogava água quando apertado, comprado numa sex-shop durante a tarde. Foi o que Patton precisava para acertar as contas com a segurança da casa. Antes do final do show colocou seu brinquedinho em ação. Na hora todos pensaram que era verdade, mas não passou de uma boa piada. No final das contas o disco-tributo vai sair, mas o festival, com a reunião do Faith No More, não.

Mark Bowen” (Faith No More)
Bill Gould – baixo / Jim Martin – guitarra / Mike Bordin – bateria / Mike Patton – voz / Roddy Bottum - teclado




::: posted by Alex at 12:45 AM



Terça-feira, Março 19, 2002 :::
 
VIDEO HITS
Agora é oficial. Em um email enviado para a lista de discussão da banda, Diego Medina anunciou o fim da Video Hits. Apesar da entrevista concedida ao Macaco Velho no mês passado, onde Diego se mostrava cheio de planos, rumores sobre um provável fim da banda já circulavam pela internet, principalmente após a saída das vocalistas Carla e Vivian. Uma pena, lamentável mesmo.

Acredito que um dos motivos para o fim da banda tenha sido a ridícula divulgação que a gravadora Abril Music fez do ótimo disco “Registro Sonoro Oficial”. Sob a alegação de que o single “Vo(C)” teve um índice de rejeição muito grande nas rádios (naquelas pesquisas que as rádios fazem com seus ouvintes que ligam pra ganhar um adesivo – daí já dá pra sacar o nível do pessoal), a gravadora abandonou a banda. E isso foi um balde de água fria muito grande para nossos amigos gaúchos. Diego já se mostrava insatisfeito com o trabalho da Abril durante o festival UpLoad em São Paulo. Mas eu achava que eles conseguiriam dar a volta por cima. Uma pena. Me sinto indiretamente culpado por isso. Como Diego disse em todas as entrevistas, quem fez a ponte entre a banda e a gravadora foi Marcelo Camelo (Los Hermanos), que ouviu o álbum independente do grupo e adorou. E quem mostrou esse disco pro Marcelo fui eu.

Às vezes as pessoas podem se perguntar: “mas não tem tanta banda sem gravadora por aí tocando”? Sim, mas depois que você larga tudo pra se dedicar somente a alguma coisa e esta não dá retorno esperado (apesar dos shows não rolarem, as contas continuavam chegando), fica difícil continuar. Diego não deu motivo nenhum sobre o fim do grupo, mas não consigo apostar em “esgotamento criativo” ou “divergências musicais”.

Agora ficam as boas lembranças. Assisti somente dois shows da banda (nos festivais UpLoad e Humaitá Pra Peixe), ambos maravilhosos. Na entrevista pro Macaco Velho perguntei pro Diego se eles tinham alguma coisa gravada ao vivo com boa qualidade pra colocar em mp3 no site. Ele disse que tinha pouquíssimos registros. Então aquelas apresentações incríveis (com Diego inventando melodias na hora, o Bisogno destruindo tudo) vão ficar na memória. Quem viu, viu. Quem não viu, terá somente mais duas oportunidades. Uma delas será num show com o Los Hermanos no Bar Opinião (Porto Alegre) e outra no festival Ipanema Beach no Rio de Janeiro. As duas datas ainda estão a confirmar.

Também nos resta aguardar a nova demo do grupo, que já está pronta. No email-despedida Diego avisa que em algumas semanas ela estará disponível na página oficial deles.

Uma linda história foi interrompida logo no início. Uma pena, uma pena mesmo.

Vontade de Voltar” (Michel Vontobel / Diego Medina)
Carla Viceconti – voz / Diego Medina – guitarra e voz / Edu Bisogno – teclado / Gustavo Steffens – baixo / Guto Bozzetti – guitarra / Michel Vontobel – bateria / Vivian Schäfer – voz




::: posted by Alex at 2:18 AM



Segunda-feira, Março 18, 2002 :::
 
X-TUDO
Armazém 5, 17 de março de 2002



Esse é o nome do novo evento promovido pelo poeta Chacal, idealizador do CEP 20,000. Há algumas semanas ele tem promovido belos shows no novo e ótimo espaço que é o Armazém 5 do Cais do Porto. A seleção das bandas deste final de semana foi muito feliz: Onno, Influenza, Matanza, Autoramas e Netunos. Vamos lá.

A Onno teve a ingrata missão de abrir a noite. Subir no palco com o público ainda chegando na casa não é tarefa das mais agradáveis, mas eles se saíram bem. Há alguns meses vi um show deles na Casa de Cultura da Estácio e fiquei bem decepcionado. Parecia que eles estavam muito “verdes” ainda, tamanho era o nervosismo estampado no rosto de cada um. Mas a noite de hoje reservou uma grata supresa. Todo mundo tranqüilo no palco, na boa, mandando seu pop-rock calcado em baladas dos anos 60. Bacana.

Em seguida tocou o Influenza, banda do Renato (Acabou la Tequila). Como disse aqui outro dia, já tinha visto um show deles há alguns anos no Sérgio Porto e não curti muito. Mas hoje foi beeem diferente. Uma nova formação com Edu (baixo acústico), Marcelo (do Carne de Segunda, na bateria) e Bruno (também do Carne, genial na guitarra) deu outra cara pra banda. Começaram com uma antiga do Acabou la Tequila e depois mandaram suas próprias músicas como “Cada um por si” e “Diabo Apaixonado”. O som é um rock anos 50 com influências de Squirrel Nut Zippers, Reverend Horton Heat e Stray Cats. Foi isso o que eu ouvi, pelo menos. Enfim, excelente show. Estão terminando de gravar uma nova demo, assim que conseguir, comento aqui.

Logo após entrou o Matanza (foto), para uma das últimas apresentações com o Nervoso na bateria. O som, que estava muito bom nos dois primeiros shows, começou a ficar uma bela porcaria a partir deles. Mas pouco importa. Estava ruim mas estava alto. E muito alto. O clima foi o mesmo da apresentação no festival Ruído: aquela intensidade, aquelas músicas, aquele baterista. Country-hardcore em sua melhor forma.

Autoramas entrou com o jogo ganho como sempre. Antes do show o baterista Bacalhau comentava que eles já estão compondo algumas músicas novas, mas não tem nada pronto. Então pro show, só clássicos: “Carinha Triste”, “Copersucar”, “Auto-Destruição”, “Eu era pop”, “Paciência”... Excelente.

Fechando a noite, a surf music dos Netunos. Confesso que não vi o show deles. Fiquei lá atrás de papo. Mas pela animação do pessoal lá da frente, foi bem bacana. Fico devendo.

A notícia da noite foi o anúncio do show do Tremendões, banda que reunirá algumas das estrelas do underground carioca tocando um repertório de músicas de Roberto Carlos. A apresentação será na Casa da Matriz na segunda-feira, 25 de março. Rumores indicam que o baixista Melvin (Carbona) e o guitarrista Renato (Influenza) fazem parte da formação. Os outros serão anunciados em breve. Mas já dá pra prever que o Rio terá uma noite histórica.

Carinha Triste” (Gabriel Thomaz / Kassin / Nervoso)
Bacalhau – bateria / Gabriel Thomaz – guitarra e voz / Simone do Valle – baixo




::: posted by Alex at 4:15 PM



Domingo, Março 17, 2002 :::
 
LITTLE QUAIL & THE MAD BIRDS
Loud, 16 de março de 2002



Gabriel, Bacalhau e Zé Ovo no palco é uma imagem muito bonita de se ver. Remete a aquilo tudo que falei no post passado. Mas alguma coisa não funcionou tão bem no show de ontem. O percentual de pessoas que têm o Little Quail como parte da história da vida era pequena, isto é, o público não estava tão animado quanto deveria. “1, 2, 3, 4”, “Família que briga unida permanece unida”, “Aquela” e outros clássicos do rock nacional tiveram um recepção um tanto quanto fria. Estranho, estranho mesmo. Será que já ficamos velhos? Aliás, Zé Ovo, que não roubou a cena ontem, se auto proclamou o “ancião do rock”. Talvez por isso o show tenha sido tão rápido e sem direito a bis. Nem sei se as anunciadas vinte e duas músicas foram executadas. Mas o set foi ótimo do mesmo jeito. Além das mencionadas acima ouvimos “Tre-Lê-Lê”, “Me Espera um pouco”, “Azarar na W3”, “Dezesseis”, “Cigarette”, “Mau-Mau”, que abriu o show, entre outras. Teve até “Great Balls of Fire”! Enfim, um grande show para um publico apático. Uma pena, o resultado poderia ter sido bem diferente se tivesse rolado uma troca de energia.

Gabriel hoje volta à programação normal. Seu Autoramas toca no Armazém 5 do Cais do Porto às 18h, junto com Onno, Netunos, Matanza e Influenza.

E na terça-feira tem Brasov no Ballroom. Espero que eles toquem as músicas do disco que está sendo finalizado. Afinal, assistir pela décima vez a piada da Conga a Mulher Gorila não vai dar.

foto: Rafael Cosme

Cigarette” (Gabriel Thomaz)
Bacalhau – bateria / Claudio Farias – trompete / Gabriel Thomaz – guitarra / Matias Capovilla – trombone / Sérgio Lyra – sax alto / Xico Guedes – sax tenor / Zé Ovo – baixo




::: posted by Alex at 3:16 PM



Sábado, Março 16, 2002 :::
 
MASADA
Além do ao vivo do Naked City, a gravadora Tzadik acaba de anunciar mais um presente para os fãs de John Zorn. No mês que vem sai o álbum “First Live – 1993” do quarteto Masada. O título do disco (o décimo-sexto da banda) é auto-explicativo e trará músicas que permanecem até hoje no repertório deles, como “Piram”, “Hadasha” e “Hazor”. Clássico, clássico.

Hazor” (John Zorn)
Dave Douglas – trompete / Greg Cohen – baixo / Joey Baron – bateria / John Zorn – sax





::: posted by Alex at 5:52 PM



Quinta-feira, Março 14, 2002 :::
 
LITTLE QUAIL & THE MAD BIRDS AO VIVO
O final de semana promete. Pela segunda vez após o fim da banda, Gabriel, Zé Ovo e Bacalhau se encontram no palco. Tive o prazer de ver o Little Quail ao vivo em algumas oportunidades. Abrindo para o Raimundos no Circo Voador e no Metropolitan, fechando uma histórica edição do Humaitá Pra Peixe no Sérgio Porto, com os Titãs no Circo e até a última apresentação oficial, em 1997 no Teatro Garagem, em Brasília. Também fui na primeira reunião que aconteceu há alguns anos no Garagem. Foi lindo. Nostalgia é apelido. As divertidíssimas músicas do trio, todo mundo cantando todas junto, Zé Ovo entretendo o público nos intervalos; aquele clima de “antigamente é que era bom”. E é essa atmosfera que estará presente no show da Loud desse sábado. Com certeza você vai encontrar aquelas pessoas que não via há anos, que já não freqüentam shows como antigamente e estarão lá para celebrar nossa história. Porque, sim, Little Quail faz parte da história da vida de muita gente. Putz, já estou vendo... Vou ficar lá babando que nem aqueles punks ficam lá na frente quando aquelas bandas decadentes como Buzzcocks aparecem por aqui. Mas Little Quail não é decadente. É somente uma noite para matar as saudades, porque os três vão muito bem, obrigado. Gabriel lidera o Autoramas, Bacalhau saiu do Rumbora para estudar samba e já está arrumando bicos em grupos como Trio Mocotó e Zé Ovo é um dos roadies mais requisitados do país. Ninguém precisa mas que no sábado todo mundo vai sair com um gostinho de ‘quero-mais’, ah, isso vai.

No dia seguinte, pra curar a ressaca, tem show no Armazém 5 (Cais do Porto). Algumas das mais bacanas bandas cariocas estarão juntas: Autoramas, Matanza, Onno, Netunos e Influenza. Já vi alguns bons shows das cinco, todas de uma vez vai ser ótimo. A única que não vejo há muito tempo é o Influenza, do Renato (ex-Acabou la Tequila). Todas as outras já vi nesse ano e foram ótimas apresentações. Por isso minha expectativa está toda no Influenza. Vi a segunda apresentação da história deles. Renato é um ótimo compositor mas as influências de Squirrel Nut Zippers ainda se misturavam com as do Tequila e acabei não saindo do Sérgio Porto muito satisfeito. Mas já se passaram alguns anos, a formação mudou e conta até com integrantes do cultuado Carne de Segunda. Bela promessa. Então é isso: Autoramas, Matanza, Onno, Netunos e Influenza no domingo a partir das 16h por $5.

Essa Menina” (Gabriel Thomaz)
Bacalhau – bateria / Gabriel Thomaz – guitarra e voz / Zé Ovo – baixo




::: posted by Alex at 10:37 PM



Quarta-feira, Março 13, 2002 :::
 
MIKE PATTON

Meu vocalista preferido aprontou mais uma no final de semana. Segundo as revistas Kerrang e Metal Hammer, no bis de um show do Tomahawk em Londres, Patton convocou os fotógrafos presentes para as fotos finais. Para surpresa de todos, ele abaixou a calça e, aparentemente sem motivo algum urinou na cabeça deles! Logo após o incidente pegou um táxi e foi pro hotel. Mais uma pro seu bizarro currículo. A foto é de um profissional da Metal Hammer que não voltou muito contente pra casa.

Aproveitando o gancho... O ano passado foi um dos mais prolíficos da carreira de Patton. Além de administrar sua gravadora, a Ipecac Records, lançou álbuns com suas três novas bandas. O genial “The Director’s Cut” (Fantômas), o excelente “Music to make love to your old lady by” (Lovage) e o fraquinho “Tomahawk” (Tomahawk). Também participou de discos de John Zorn (“The Gift”) e DJ Eddie Def (“Inner Scretch Demos”). Esteve presente nos palcos com a FantômasMelvins Big Band (que vai lançar um disco ao vivo em abril) e em tour com o Fantômas e Tomahawk.

Dos seus três principais projetos de 2001 meu preferido foi o Fantômas. O segundo disco da banda traz somente covers de músicas-tema de filmes de suspense/terror antigos como “O Bebê de Rosemary” e “Cabo do Medo”. O modo como eles arranjaram as músicas (ora pesadíssimo, ora lento e assustador) foi genial. A escolha das músicas foi muito feliz também. Uma pena que não conseguiram autorização para gravar “Flashdance”. Deve ter ficado, no mínimo, curioso.

Pensei que o Lovage seria um mega-sucesso. Patton cantando músicas pop com um excelente sabor lounge/dance/funk e usando a mesma entonação que aplicava em canções do Faith No More como “Easy” ou “Take this Bottle”. Um Mike Patton intérprete e pouco experimental como não se ouvia há anos. Na verdade o Lovage é um projeto do Dan The Automator (a mente por trás do Gorillaz); Patton e Jennifer Charles (vocalista do Elysian Fields) foram convidados depois para integrar o grupo, que também tem nítidas influências de Portishead e Barry White. Mas eles acabaram se animando e até escreveram algumas músicas com The Automator. Também participam desse disco Damon Albarn (Blur), Kid Koala e Afrika Bambaataa. Fizeram alguns shows nos Estados Unidos em janeiro, não sei quando se reunirão novamente. Se é o que farão.

Já o Tomahawk achei uma perda de tempo. Também não é uma banda criada por Patton (seu novo xodó chama-se Peeping Tom e deve sair esse ano). Ele foi convidado por Duane Denison para integrar uma banda de rock que estava formando. Denison era guitarrista do Jesus Lizards e se mudou há alguns anos para o Tennessee, o que deu um tempero sulista para o som do Tomahawk. Mas o resultado foi muito fraco. Rock básico sem novidades nem muita inspiração.

Anger Management” (Dan The Automator)
Astacio The Nudist – guitarra / Dan The Automator – base / Daniel Spills – teclado / Jennifer Charles – voz / Kid Koala – toca-discos / Mike Patton – voz / Sweet P – teclado





::: posted by Alex at 11:03 PM



Terça-feira, Março 12, 2002 :::
 
MARC RIBOT Y LOS CUBANOS POSTIZOS
Me apaixonei pela guitarra de Marc Ribot na primeira vez que a ouvi, num disco de John Zorn chamado “Filmworks VI”. Uma banda formada por Zorn (sax), Ribot (guitarra), Greg Cohen (baixo) e Cyro Baptista (percussão) tocava uma surf music pôr-do-sol para a trilha sonora de um filme de Dina Waxman. Fabuloso. Ribot guiava as melodias com uma sensibilidade, segurança e bom gosto que eu nunca tinha ouvido. Logo depois comecei a me interessar pela carreira do cara; comprei outros discos seus com Zorn, outros solo e os de sua mais bem sucedida banda, Los Cubanos Postizos. Ninguém, acho que muito menos Ribot, imaginaria que essa banda chegaria tão longe. O primeiro disco, de 1998, é um tributo ao guitarrista cubano Arsenio Rodriguez e contava com participações de músicos como John Medeski e Anthony Coleman. No segundo, “Muy Divertido” (2000), Ribot compôs quase todas as canções e efetivou Coleman na formação. E com esses falsos cubanos (Coleman, Brad Jones no baixo e os irmãos Rodriguez na percussão) ele tem viajado o mundo. Já levou a atmosfera jazz/surf/latina da banda para Europa, Estados Unidos e até Brasil (no Free Jazz de 99). E agora inicia mais uma turnê, que começa hoje em São Petesburgo (Rússia), amanhã segue pra Moscou e depois Dinamarca, Holanda, Alemanha, França... Após essas apresentações, Ribot viaja pro Japão, onde dará seqüencia a turnê do seu novo disco solo, “Saints”.

Aurora en Pekín” (Alfredo Boloña)
Brad Jones – baixo / EJ Rodriguez – percussão / Marc Ribot – guitarra / Roberto Rodriguez – percussão




::: posted by Alex at 6:21 PM



Segunda-feira, Março 11, 2002 :::
 
MONOAURAL
Quando se é mais jovem, não são tão raros os shows e discos que mudam sua concepção sobre música. Então você vai chegando numa idade em que esses discos e shows são cada vez mais escassos e, por mais que você os procure, não vai encontrá-los com a mesma facilidade de antigamente. Um desses poucos shows que vi depois de velho foi a apresentação do Monoaural no festival Almanaque 99´ no MAM. Se a memória não me falha (e ela sempre falha), a banda (Monoaural = Berna Ceppas + Kassin) estava acompanhada por Harold Hemert (oboé) e Moreno Veloso (violoncelo). Foi foda. Desculpa, não tenho outra palavra pra descrever. Kassin e Berna construindo música ali na frente de todo mundo, batidas eletrônicas climáticas, oboé e violoncelo soando lindamente, freqüencias irritantes a todo momento... Foi muito bom.

Por isso, na segunda-feira passada fui ao 00 (restaurante na Gávea) assistir mais uma apresentação ao vivo da dupla. O convidado especial dessa semana (eles estão fazendo uma temporada lá) era Totonho (Totonho & Os Cabra), novo ´darling´ da mídia paulistana. Putz, como eu saí decepcionado. Acompanhando Berna (programações) e Kassin (baixo): Domenico Lancelotti (bateria eletrônica), Léo Massacre (percussão eletrônica), dois trombonistas que se revezavam (enquanto um ia pegar uma cerveja o outro tocava; às vezes se encontravam - no bar ou no palco) e um cara ao violão (que deve ser um dos Cabras). Totonho cantava, mandava uns ´raggas´, umas músicas nordestinas, tudo muito alegre, muito agitado pro meu gosto. Música que faria aquele sucesso numa rave. Mas ali, com todo mundo sentadinho nas mesas do bar, não funcionou. Voltei pra casa antes do final do show mas hoje estarei lá novamente. Pagando penitência? Não, acredito que tenha sido somente uma noite equivocada. Aqueles caras que fizeram aquele show no MAM há quase três anos podem mais. Podem muito mais. Então, todo mundo convidado: hoje às 21h no 00. Monoaural ao vivo.

"Introdução Jardim" (Berna Ceppas / Kassin)
Berna Ceppas e Kassin - todos os instrumentos



::: posted by Alex at 1:27 AM



Quinta-feira, Março 07, 2002 :::
 
YUKA HONDA
Quem fez o show de lançamento de seu primeiro álbum solo ontem foi a Yuka Honda, do extinto duo Cibo Matto. Gravado em sua casa, o disco “Memories are my only witness” foi lançado no mês passado pela gravadora nova-iorquina Tzadik. Segundo comentários na internet, o álbum segue a linha de seu trabalho no Cibo Matto e no Butter08 (banda que formou com Miho Hatori e o povo do Jon Spencer Blues Explosion). Se você não conhece, basicamente é eletrônico, com pitadas de funk, bossa, rock, lounge, rap…Enfim, só ouvindo.

O show de ontem no Tonic contaria com a presença de algumas estrelas da cena de NY, como John Zorn, Dave Douglas e Timo Ellis. Uma participação de seu marido Sean Lennon não estava programada, mas é quase certo que ele daria uma canja. Andei procurando algumas resenhas na internet mas ainda não achei nada. Caso alguém encontre alguma coisa, me mande por favor. Muita gente boa junta no palco, fiquei curioso.

The Look of Love” (Burt Bacharach / Hal David)
Sean Lennon – bateria, guitarra, teclado e voz / Yuka Honda – teclado e voz




::: posted by Alex at 2:33 AM



Quarta-feira, Março 06, 2002 :::
 
ABRIL PRO ROCK
Já saiu a escalação do maior festival do país. Os shows acontecerão novamente no Centro de Convenções de Olinda.

sexta-feira, 19
Rodox
Pato Fu
Subversivos
Prot(o)
Textículos de Mary


sábado, 20
Sepultura
Krisiun
Attaque 77
Prole
Decomposed God
Os Cachorros


domingo, 21
The Charlatans
Stephen Malkmus
Tom Zé
Mundo Livre S/A
Mombojó
Chá de Zabumba
G.R. Bonsucesso Samba Clube


A primeira impressão não é das melhores. Aparentemente Paulo André está com o mesmo problema que Guti teve ao tentar fechar a escalação do seu RecBeat: a falta da verba do governo de Pernambuco. Outra novidade que salta aos olhos é a pouca quantidade de bandas. Será que teremos apenas um palco nesse ano? Pela segunda vez, desde 97, não vou arrumar minhas malas em abril... Em alguns dias serão anunciadas as bandas da edição paulistana do festival, que terá quatro noites no SESC-Pompéia.

"Homero, O Junkie" (Fred 04 / Fábio Montenegro / Tony Montenegro)
Bactéria - teclado / Fábio - baixo / Fred 04 - guitarra, violão e voz / Miranda - colagens e congas / Nasi - voz / Otto - percussão / Tony - bateria



::: posted by Alex at 12:20 AM



Terça-feira, Março 05, 2002 :::
 
WONKAVISION

Se você perguntar para integrantes do Pato Fu, Los Hermanos ou Penélope qual a banda nova que mais os agradou ultimamente, a resposta é uma só: Wonkavision. Também sou fã do pessoal. Vi a apresentação deles ano passado no UpLoad e fiquei maravilhado. Muito, muito bom! Acabando o show fui correndo comprar o cd na banquinha e este tem freqüentado meu toca-discos muito mais do que eu imaginaria. Então resolvi ver com o Will o que eles estão preparando, já que essas quatro músicas não são mais o bastante para satisfazer o meu vício. E olha que beleza: amanhã eles fazem o show de lançamento do novo cd-demo no Bar Ocidente (POA) com abertura dos Brilhantines. Já encomendei o meu. E o Will avisa que, quem quiser comprar, é só entrar em contato com ele por email.

MACACO VELHO - Para quem nunca ouviu falar do Wonkavision, como você apresentaria a banda?
WILL - A Wonkavision faz um rock pop. Começamos em Janeiro de 2000, e fizemos nosso primeiro show em São Paulo, em Março do mesmo ano. Somos quatro. Grazi na voz e baixo, Manu no moog e backings, Kiko na bateria e backings, e eu, Will, guitarra e voz. Temos influência no rock dos anos 50 e 60, assim como o pop dos 80. E curtimos as guitarras dos anos 90. Nossas músicas tem algumas melodias felizes, muitas vezes contrastando com o teor pesado das letras. Acreditamos que o contraste é mais interessante.

MV - Na minha opinião vocês foram a revelação do festival UpLoad. O que acharam daquele show? Já têm planos de subir novamente e incluir o Rio no roteiro?
WILL - O Upload foi super importante pra Wonka. Muita gente bacana pôde conhecer nosso som. É ótimo poder mostrar o trabalho com uma estrutra de qualidade. Tocar em São Paulo sempre foi bom, temos um público bem interessado por lá. E sim, não vemos a hora de tocar no Rio. No início desse ano, Leela tocou com a Wonkavision em Porto Alegre. Agora é a nossa vez de subir :) Porém impera o problema de sempre, grana pras passagens. Difícil conseguir um cache que cubra tudo. Mas faz parte, estamos revendo nossa cota de pay-to-play pra esse ano. Quem sabe...

MV - Recentemente vocês tiveram uma mudança importante na formação da banda. O que aconteceu? A nova integrante, Manu, já se adaptou?
WILL - No fim de 2000, logo após o Upload, trocamos de tecladista. Depois de dois meses começamos a ensaiar com a Manu, que agora já é oficial na banda. Apesar da velocidade impressionante com que ela assimilou o conceito Wonka, ela ainda está se adaptando com as variações de humor dos moogs. Eles são muito temperamentais. Coisas da personalidade analógica.

MV - O que mudou no som do grupo com a entrada dela?
WILL - A Manu entrou na banda bem na fase de gravação do novo EP. Então não teve muito tempo pra criar em cima do que já estava definido. Agora veremos, nas nossas músicas novas, como a mocinha vai se sair.

MV - Quando sai a demo nova de vocês? Já tem nome? Quantas/quais músicas vão entrar? Onde/com quem gravaram?
WILL - O show de lançamento é amanhã, dia 6 de Março, no Bar Ocidente em Porto Alegre. O CD vai se chamar friamente de "Preview". Já vai ser possível notar alguma mudança sonora na Wonkavision. Quem frequenta os shows já conhece músicas como "Nanana", "PowerBossa", "Ah, é assim?", "Super-Homem", e outras que farão parte do EP. O CD divide a produção entre Alex Cichosky, Charles "Cholly" Di Pinto e a Wonkavision. E foi mixado pelos dois primeiros e também por Kiko Ferraz. Gravamos em Porto Alegre, em vários estúdios diferentes. Ficou pronto com apenas 4 meses de atraso. Nada mal, não?

MV - Estou muito longe de ser um professor Pasquale, mas acho que tem um erro de português muito brabo em "A Garota Mais". Tem algum motivo? Ou simplesmente licença poética?
WILL - Veja bem, não é uma questão de licença poética, mas sim de poesia. Desde quando precisamos pedir licença? Hein? Hein? E afinal, se "quem cuida da minha vida é eu" ou se "quem cuida da minha vida sou eu", é assunto que somente diz respeito a mim, não acha? A vida é minha, porra! Que mania de ficar se metendo onde não é chamado... Mas agora falando sério. Já lemos algumas manifestações em listas de discussão na internet. Tem gente que diz que tá errado, tem gente que diz que também pode ser assim ou assado. Sinceramente, não faz diferença, pra maioria das pessoas ela continua sendo a "garota mais afudê do mundo". Mas por falar nisso, tu tens o telefone do Professor Pasquale aí?

Errado?” (Will)
Grazi – baixo e voz / Jo – moog e voz / Kiko – bateria e voz / Will – guitarra e voz




::: posted by Alex at 12:26 AM



Segunda-feira, Março 04, 2002 :::
 
NAKED CITY
O lançamento do álbum “Naked City Live Vol.1: Knitting Factory 1989” foi adiado para o final de abril. Mas pra quem já esperou tanto tempo, o que são mais algumas semanas? A gravadora Tzadik ainda não anunciou o ‘track-list’, mas avisa que o disco trará covers e músicas de Zorn nunca registradas nos discos de estúdio da banda.

Saigon Pickup” (John Zorn)
Bill Frisell – guitarra / Fred Frith – baixo / Joey Baron – bateria / John Zorn – saxofone / Wayne Horvitz - teclado




::: posted by Alex at 12:20 AM



Domingo, Março 03, 2002 :::
 
BACH + PIXINGUINHA + WOODY ALLEN
Quarta-feira estava andando em Ipanema e, pra passar o tempo, entrei numa daquelas livrarias para pessoas chiques e chatas. Loja pro povinho moderno da zona sul. Mas acabei encontrando alguns títulos bem bacanas na seção de CDs. Levei dois: “Bach & Pixinguinha”, com a dupla Mário Sève e Marcelo Fagerlande (sax e cravo, respectivamente) tocando músicas dos dois compositores; e “Wild Man Blues” da Woody Allen New Orleans Jazz Band. À primeira audição os dois me soaram excelentes. Em dez dias, depois de absorvê-los, escrevo aqui com mais calma. Uma curiosidade é que ambos foram gravados em igrejas: o de Allen na Igreja Presbiteriana de NY e o de Sève/Fagerlande na Capela da UFRJ. No dia seguinte estava na Gávea e resolvi garimpar algumas pechinchas na Marcabru. Encontrei, por $10, um disco do Arcana, banda do incendado Bill Laswell com Tony Williams (baterista de Miles Davis). Esse já não agradou tanto, vamos ver daqui a uns dez dias.

Lonesome Blues” (Lilian Armstrong)
Eddy Davis – banjo / Greg Cohen – baixo / Woody Allen – clarinete




::: posted by Alex at 12:17 AM



Sábado, Março 02, 2002 :::
 
O CASO DENIS
Como comentei há alguns dias, o Jason acaba de lançar seu terceiro disco, “Eu Tu Denis”. Além de ser um trocadilho com o nome do último filme da Regina Casé, o título é uma brincadeira com o Denis (baterista da banda Discórdia e meu colega de Santo Inácio). Mas anteontem o baixista Flávio Flock recebeu um email de um rapaz chamado Denis Candle ameaçando processar a banda por usar o seu nome!! Bizarro!

- Aliás, isso me lembrou um episódio que aconteceu no ano passado. Após deixar uma conhecida banda carioca por não concordar com os rumos musicais que ela tomava, um músico ameaçou os ex-colegas com um processo por “danos morais”. Chegou a contratar um advogado e tudo! A brincadeira acabou custando R$35.000,00 pra banda. Falha de caráter é pouco… -

Bom, voltando… Realmente não dá pra entender o que se passa na cabeça desse Denis Candle. Segue alguns trechos do hilário mail:

"Bem, pra falar a verdade eu me sinto honrado com a sua homenagem, pois vocês só estão me superestimando. Veja bem, vocês não chamaram o álbum de "Eu, Tu, Bianca" ou "Eu, Tu, Camelo". Foi com o meu nome! Isso significa que eu realmente incomodo muito, sou quem mais incomoda pessoas fundamentalistas como vocês. O pior é que vocês nem têm idéia do que vai rolar no futuro, acham que eu vou ficar deprimidinho com essa sua atitude, que vou chorar e desistir da vida de música, hehe. Muito pelo contrário!, vocês só estão me dando mais força e garra, ou seja, o tiro está saindo pela culatra. Vocês não fazem idéia de quem eu sou, cara... Não fazem mesmo.

"As pessoas não são idiotas, elas vão saber discernir quem está jogando limpo nessa história, se são vocês ou eu. Nunca fiz nada contra vocês, estou com a consciência limpa, e se vocês querem ser recalcados por causa do meu talento, isso só indica que eu sou realmente bom, não é verdade???

E caso vocês mencionem meu nome em qualquer entrevista, deixando claro que o Denis em questão sou eu, eu vou processá-los por danos morais. Respeito é bom e eu gosto."

O email termina com um poema (?) sobre “ressentimento”. Muito bom, muito bom!

Leia a excelente resposta de Flock e mais sobre o desenrolar da história no blog dele.

Marra de Cão” (Flock / Panço)
Flávio Flock – baixo / Leonardo Panço – guitarra / Rafael Ramos – bateria / Vital – voz




::: posted by Alex at 12:14 AM



Sexta-feira, Março 01, 2002 :::
 
PAULO SÉRGIO SANTOS
Nessa semana a TV SESC (canal 54 da Net/Rio) reprisa uma excelente apresentação do clarinetista Paulo Sérgio Santos. O show foi realizado no ano passado em São Paulo, no lançamento do CD “Gargalhada”. Paulo Sérgio toca acompanhado por Caio Márcio (violão) e Beto Cazes (percussão). O repertório passeia por clássicos do choro e composições de Guinga e do próprio Paulo Sérgio. Bastante recomendável. Os horários de exibição são os seguintes: hoje (sexta, 01.03) às 10h e 19h, amanhã (sábado, 02.03) às 15h e domingo às 19h.

André de Sapato Novo” (André Victor Correia)
Bororó – baixo / Celsinho Silva – pandeiro / Luciana Rabello – cavaquinho / Maurício Carrilho – violão / Paulo Sérgio Santos – clarinete / Pedro Amorim – bandolim




::: posted by Alex at 12:32 AM






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