Quinta-feira, Fevereiro 27, 2003 ::: CHIVAS JAZZ 2003
As datas do festival deste ano já estão confirmadas: 28, 29, 30 e 31 de maio na Marina da Glória. Sobre as atrações, não faço nem idéia.
Mas os caras têm crédito: na primeira edição rolou Don Byron; na segunda, Dave Douglas, Bill Frisell e Archie Shepp; e no ano passado teve Fred Hersch.
Sexta-feira, Fevereiro 21, 2003 ::: DIEGO MEDINA & SUA TURMA Casa da Matriz, 09 de fevereiro de 2003
Como já dizia o mestre, um pouco de talento não faz mal a ninguém. Mas quando tem muito talento envolvido ou o tédio impera ou mais uma noite entra pra história.
Uma papinho básica antes do show em si. Ah, só para não criar suspense bobo, rolou a opção B no domingo passado.
Diego Medina é um cara foda. Além de ser uma de ser um músico de primeira é uma das pessoas que já conheci mais agradáveis de se conviver. Por conta disso, seu talento para fazer amigos é impressionante. No início do mês ele resolveu passar uma semana de bobeira aqui no Rio. Além de duas participações na Orquestra Imperial, seu amigo e fã Kassin resolveu marcar um show dele. A banda não existia quando a data foi confirmada, mas nada que meia dúzia de telefonemas não resolvesse. Assim foi formada a Diego Medina & Sua Turma com alguns dos melhores músicos cariocas tocando os clássicos do nosso herói gaúcho.
Por volta das 15h do domingo lá estavam ensaiando na Casa da Matriz: Diego, Kassin (guitarra), Pedro Sá (baixo), Moreno (efeitos) e Rodrigo Barba (bateria). Oito horas depois essa banda e mais um monte de convidados especiais faria um dos melhores e mais descontraídos shows que já vi.
Moreno se atrasou e Berna Ceppas assumiu o laptop. “Sentido Anti-Horário”, clássico da Video Hits abriu o show e a platéia de pouco mais de cem pessoas se espremia para tentar ver alguma coisa – a casa não tem palco. Quem conseguiu viu aquela reunião de músicos geniais liderados por um insano Medina, que mal podia acreditar quando olhava pro lado e via quem estava tocando com ele. “Quinta Embalada” e “Sobras” continuam a seqüencia VH.
Logo depois Diego puxa “Springles clama”, do Senador Medinha. Era a primeira vez que ele tocava as músicas de sua ópera-rock ao vivo. Ainda teve “Orangotor” e “Agonia e Tensão”.
Após algumas do Goodnight Varsóvia (nem é assim que escreve, mas era a banda que Kassin, Pedro Sá, Moreno e mais um pessoal tocava quando moleque – não é do meu tempo) Medina chama Renato do Acabou la Tequila para tocar duas de sua extinta e cultuada banda. Marcelo Camelo assume a guitarra, Gabriel Bubu o baixo, Moreno chega e pega o laptop. Tocam “Tu é choque”, do segundo disco (o não lançado “Som da Moda”) pra esquentar e, na seqüencia, o clássico dos clássicos: “O Fim”. Maravilhoso, momento maravilhoso.
Logo após a catarse no palco Bubu puxa riff um metal no baixo, Marcelo capricha na microfonia, Barba se empolga na bateria e o momento experimental-noise da noite rolou. Sublime, valeu, Bubu!
Mais uma cover: “Amada Amante”. Amarante assume os backings com Moreno enquanto Medina manda sua melhor interpretação para a canção de Roberto Carlos. Já tinha visto algumas vezes (na VH e na Orquestra), ouvido mp3 e tal. Mas domingo o cara se superou. O arranjo também foi excelente, quem gravou, me arruma aí!
Para encerrar a noite, “Epilético”, sucesso do Doiseu Mimdoisema, primeira banda do Diego. Mais um momento sublime, principalmente pela performance de Domenico (que chegava de um show com a Adriana Calcanhotto) tendo um ataque de epilepsia na bateria. Clássico.
Diego precisa passar mais férias aqui no Rio.
Segue set list completo.
1. Sentido Anti-Horário
2. Quinta Embalada
3. Esta é outra música
4. Sobras
5. Springles clama
6. Oh Léo (Goodnight Varsóvia)
7. Tô no fim (Goodnight Varsóvia)
8. Bomba
9. Orangotor
10. Tu é choque (Acabou la Tequila)
11. O Fim (Acabou la Tequila)
12. Cinto de Inutilidades
13. Louco por Você
14. Agonia e Tensão
15. Entre a oferta e a procura
16. Amada Amante
17. Cozinha Oriental
18. (vo)C
19. Epilético
“Sentido Anti-Horário” (Diego Medina)
Diego Medina – guitarra e voz / Domenico – bateria / Kassin – guitarra / Moreno – laptop / Pedro Sá – baixo
Segunda-feira, Fevereiro 17, 2003 ::: NERVOSO Personalidade
O que se pode esperar de um cara que tem em seu currículo passagens pelas bandas Acabou la Tequila, Beach Lizards, Autoramas, Matanza e 77 Idols? Que já tocou com o Los Hermanos numa histórica noite no Garage? Que já formou um trio com Kassin e Marcelo Camelo? E que ultimamente tem tocado com os Tremendões, banda cover de Roberto Carlos?
Pois então.
De um dos músicos mais aclamados da cena carioca, surge “Personalidade”, o aguardado disco solo do Nervoso. Na verdade não é um álbum e, sim, um EP com sete faixas, sendo quatro canções e três vinhetas.
Já tinha visto um show solo dele há alguns anos. Solo mesmo, voz e violão. Foi na Casa da Matriz e o rapaz defendeu algumas de suas pérolas perdidas – como “Mágoa” e “Vossa Autoria”, não gravadas por Los Hermanos e Acabou la Tequila, respectivamente – além de covers e novíssimas canções. Por ali ele já indicava um pouco do caminho que traçaria alguns anos depois: inspiradas declarações de amor em tom menor.
Fã incondicional de Reginaldo Rossi e Roberto Carlos, ele deixa um pouco de lado o rock de suas antigas bandas e percorre por vários estilos em sua primeira gravação solo. Estilos tão díspares quanto o surf de “Clube da Luta” (parceira com Simone do Autoramas) ou a levada Tom Waits de “Bom Veneno” (outra parceria, com Renato do Influenza). Ainda tem a bossa-tequila-reginaldo-roberto de “A Visita” e a bela “Mais justo”, composta para seu filho Guilherme e com participação do mesmo. Mas não soa como se estivesse atirando para todos os lados, o disco tem uma unidade. Nervoso é daqueles compositores que mantêm alguns saudáveis vícios. Você ouve e já o reconhece de imediato.
Multi-instrumentista, ele também canta e toca todos os instrumentos. Mas conta com algumas participações durante o disco como o baterista Marcelo Callado (Carne de Segunda), o guitarrista Gabriel Thomaz (Autoramas) e o trompetista Pedrão (Pelvs).
O encarte também ficou muito bacana (mais uma do Flock) e é só clicar aqui para correr atrás da sua cópia. Um dos meus indicados para melhores de 2003 desde já.
“A Visita” (Nervoso)
Marcelo Callado – bateria e percussão / Nervoso – baixo, teclado, violão e voz
Sábado, Fevereiro 15, 2003 ::: FREE JAZZ EM OUTUBRO
O melhor festival do país vai retomar suas atividades, interrompidas no ano passado por causa da lei que proíbe a publicidade de cigarro.
Beleza. O Chivas Jazz (que já trouxe Dave Douglas, Bill Frisell e Archie Shepp) também está certo para o primeiro semestre e agora as chances de ver bons nomes por aqui aumentaram ainda mais.
O Free Jazz (que já nos presenteou com John Zorn, Marc Ribot e Medeski, Martin & Wood) virou TIM Festival e já confirmou a primeira atração: a Count Basie Orchestra fazendo um tributo a Ella Fitzgerald. Mas acho que devem vir músicos mais interessantes por aí.
“Polka, Dots & Moonbeams” (J. Van Heusen / J. Burke)
Benny Powell – trombone / Bill Graham – saxofone / Bill Hughes – trombone / Count Basie – piano / Charlie Fowlkes – saxofone / Eddie Jones – baixo / Frank Foster – saxofone / Frank Wess – saxofone / Freddie Green – guitarra / Henry Coker – trombone / Jo Jones – bateria / Joe Newman – trompete / Lester Young – saxofone / Marshall Royal – saxofone / Reunald Jones – trompete / Thad Jones – trompete / Wendell Culley – trompete
Terça-feira, Fevereiro 04, 2003 ::: ORQUESTRA IMPERIAL Ballroom, 3 de fevereiro de 2003
A Orquestra Imperial fez sua estréia em meados do ano passado com uma temporada de quase três meses no Ballroom. A idéia era genial: uma big band com alguns dos melhores músicos do cenário carioca tocando sambas com intervenções de dub, música latina e o que mais os convidados especiais trouxessem. Foi levando um público cada vez maior à casa do Humaitá, virou capa de caderno cultural, tocou em São Paulo e até participou da festa de aniversário do Ensaio Geral, programa do Multishow. Só tinha ido na estréia, que foi bem bacana e o resto da história fiquei acompanhando meio de longe.
Pausa para balanço.
A Orquestra volta em janeiro para mais uma temporada. O boca-a-boca alimentado por lambe-lambes colados na cidade inteira fez com que a casa super lotasse na re-estréia, deixando mais de trezentas pessoas do lado de fora e mobilizando até o Corpo de Bombeiros para controlar a multidão. Lá dentro, Léo Gandelman era o convidado. Nas últimas semanas apareceram por lá Otto, Baia e Andreas Kisser.
Depois de ouvir tantos comentários fui conferir a versão 2003 da Orquestra. Convidados de ontem: B.Negão (com uma música nova e uma jam com Black Alien e Gabriel Muzak), Diego Medina (“Walk on By”, Bacharach e “Amada Amante”, Roberto) e Cabelo (uma nova e “A Volta do Boêmio”). Ausente na chamada: Moreno.
Bom, o novo hype do verão carioca tem sua razão de ser. Dub e experimentações são apenas detalhes em duas ou três músicas. Agora a Orquestra toca um samba de gafieira de verdade. O público PUC / Baixo Gávea / Santa Teresa lota a casa e vai ao delírio, como num carnaval fora de época (se bem que estamos quase lá). Mas quem esperava um pouquinho a mais do que músicos como Kassin, Pedro Sá ou Amarante podem proporcionar, saiu decepcionado.
Agora deu pra entender o porquê da fama da Orquestra. Está tudo muito no lugar e o que não está (uma versão de “Iron Man”, por exemplo) é tão engraçadinho que acaba sendo facilmente digerível. São músicos brilhantes que poderiam estar caminhando pra frente ao invés de somente entreter a juventude da zona sul carioca. Uma pena.
Não sou contra o entretenimento, explico. As cenas de alegria eram contagiantes: o sorriso estampado nos rostos dos músicos, os casais dançando na platéia, todo mundo cantando os sambas antigos com a maior felicidade. Tudo muito bacana. Mas dá dó de pensar no que poderia sair daquelas caixas de som se o pessoal estivesse em outra onda. Cara, olha o line-up: Kassin, Amarante, Pedro Sá, Bartolo, Moreno, Domenico, Léo Massacre, Berna... Todos com trabalhos geniais nas costas. Esperava mais do povo junto mas se eles se encontraram apenas para alguns momentos de diversão, tá bom então.
O que poderia ser se tornar um marco da música mundial, vai fazer a história do verão da turma de comunicação do terceiro período da PUC. Quebrem tudo, amigos. Aposto que o maestro Célio Varanda aprovaria.
Segunda-feira, Fevereiro 03, 2003 ::: JASON Casa da Matriz, 2 de fevereiro de 2003
Que o Jason é uma das poucas bandas que me tira de casa hoje em dia, eu já sabia.
Que o Jason é uma das poucas bandas pela qual eu anseio de verdade pelo próximo show, eu não sabia.
Nunca pensei que eles conseguiriam um substituto à altura do talentoso e carismático Vital. Pelo menos aqui no Rio não tinha ninguém. Numa jogada de mestre Flock importou de Curitiba o surpreendente Glerm.
Surpreendente pra mim, que nunca tinha visto um show do Boi Mamão em sua fase áurea. Flock já tinha.
E o cara (fã de Boredoms à Stravinsky) se adaptou perfeitamente ao rock pauleira e complexo da banda. Esta é a segunda vez que eles se apresentam na zona sul do Rio com essa nova formação e o show foi ótimo. Casa da Matriz vazia; um retrato do parco interesse dos cariocas pela banda. A regra da Gangrena Gasosa (“santo de casa também faz milagre”) não cabe aqui. Os caras são ídolos no nordeste, estão sempre tocando no sul e já estão agendando uma segunda turnê na Europa, por conta do sucesso da primeira. Mas aqui no Rio não sei o que acontece, as pessoas não se interessam. Bom, paciência, problema de quem perde.
Então, casa vazia, Glerm posiciona o microfone no meio do espaço reservado à platéia. E começa a porradaria: logo as três primeiras do último álbum da banda, “Eu Tu Dênis”: “Aos cérebros que estão mal”, “A Crise” e “Divã de Sangue”. Glerm aproveita o espaço para pular, correr, dar cambalhotas, lamber o chão e quase atingir o público com o pedestal do microfone. O cara manda bem, contagiando até o geralmente paradão Panço.
No final do show o ex-vocalista Vital (Jimi James) fez uma participação em duas músicas criando um belo momento com os dois cantando juntos. Fica uma sugestão para as próximas gravações, foi muito bom.
A banda viaja novamente para o sul (Curitiba e Florianópolis) na próxima quinta-feira. Confira em breve as datas neste blog. Uma boa recomendação para quem gosta de rock pesado e está cansado de hardcore tatibitati.
E aqui no Rio a Sundae Tracks, festa onde rolou o show, continua no próximo domingo com Diego Medina & Sua Turma.
"Aos cérebros que estão mal" (FF / Panço / Heron / Schimi / Pedro Schroeder)
Fábio Leh-Leh - bateria / FF - baixo / Panço - guitarra / Vital - voz
O que era um boato no final do ano passado começou a tomar força nas últimas semanas e há alguns dias foi confirmado oficialmente. A lendária banda Naked City vai se reunir dez anos após seu último show (no Knitting Factory de Nova York) para duas apresentações em julho na Europa. Os shows serão em Amsterdã (Holanda) e Warsaw (Polônia). A formação será a original, exceto pelo vocalista: ainda não se sabe se Yamatsuka Eye poderá cantar e talvez ele seja substituído por Mike Patton (como numa turnê européia no final da década de oitenta). Cara, isso vai ser maneiro.
Resenhas vão pipocar pela internet, vou copiar algumas e colocar por aqui depois do show.
“Pistol Whipping” (John Zorn)
Bill Frisell – guitarra / Fred Frith – baixo / Joey Baron – bateria / John Zorn – voz / Wayne Horvitz – teclado / Yamatsuka Eye – voz